Corporações participaram de 66 rodadas de investimento em startups brasileiras, totalizando US$ 700 milhões entre julho de 2024 e junho de 2025. Embora o volume total de negócios tenha apresentado queda, o corporate venture capital (CVC) foi responsável por quase metade das captações do setor no período.
Das 66 rodadas, empresas lideraram 30, correspondendo a 45% do total, com negócios que movimentaram US$ 358 milhões. No período de 12 meses anterior a julho de 2025, foram registradas 135 operações. Ao todo, 42 CVCs brasileiras demonstraram atividade de investimento nesse intervalo.
O estudo foi realizado pela EloGroup em parceria com a ApexBrasil, ABVCAP e Global Corporate Venturing (GCV).
O sócio da EloGroup e um dos responsáveis pelo estudo, Jaime Frenkel, destaca o amadurecimento do setor de CVC no Brasil. “Esse movimento consolida o amadurecimento do setor de CVC no Brasil com uma forte separação entre o ‘joio e o trigo’. Enquanto diversas empresas descontinuaram os seus braços de CVC, aquelas que o utilizaram como uma ferramenta estratégica de longo prazo estão colhendo frutos valiosos”, afirma.
Rodadas Series B+, de empresas que já passaram por ciclos anteriores de investimento via venture capital, representaram 27% do total. Houve um aumento na representatividade e no valor médio, que atingiu US$ 34,6 milhões. investimentos em estágios iniciais (Pre-seed a Series A) ainda formam a maioria, com 40% dos aportes e mantendo-se próximos a 52% do total.
“O ciclo 2024/2025 marcou a transição para um mercado menos eufórico e mais estratégico, com foco em ativos com tração, maturidade e risco reduzido”, explica Frenkel. “O CVC deixou de ser um experimento e passou a se consolidar como uma alavanca estruturada de crescimento, aprendizado e acesso a novos mercados no longo prazo.”
Perfil dos Investimentos
O mercado registrou um aumento na participação de rodadas Series B+, que somaram 27% do total. O valor médio de uma rodada Series B+ alcançou US$ 34,6 milhões, indicando que corporações brasileiras estão envolvidas em negócios de maior porte e apoiando startups em fase de escala.
A concentração de investimentos dos fundos de CVC permanece alta, com mais da metade dos aportes direcionados ao setor financeiro, totalizando 22 rodadas. Tecnologia e saúde aparecem em seguida, com 11 e 9 rodadas, respectivamente.
Empresas tendem a investir majoritariamente em seus próprios setores de atuação. CVCs do setor financeiro, por exemplo, direcionam a maior parte dos investimentos para fintechs. Em saúde e mídia e telecomunicações, o cenário é similar, com investimentos concentrados no próprio segmento. Já empresas da indústria e de Tecnologia exibem maior diversificação.
Fonte: Infomoney