BofA rebaixa Usiminas para neutro e mantém compra para Gerdau

BofA rebaixa Usiminas para neutro e mantém recomendação de compra para Gerdau, citando perspectivas distintas de geração de caixa e endividamento.
Funcionário trabalha em forno da Usimina em Ipatinga, Minas Gerais 17/04/2018 REUTERS/Alexandre Mota

O BofA revisou sua cobertura de siderurgia na América Latina após os resultados do quarto trimestre de 2025, rebaixando a Usiminas para a classificação neutra. O banco observa que o mercado de aço no Brasil permanece fraco, apesar das medidas protecionistas, enquanto os mercados dos Estados Unidos se mostram mais apertados, o que sustenta preços, margens e resultados.

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A perspectiva de menor investimento em capital (capex) nos próximos anos favorece a geração de caixa livre da Ternium e da Gerdau. Em contrapartida, a Usiminas deve enfrentar uma geração de caixa mais limitada e menor potencial de valorização no patamar atual de preços.

O BofA reduziu a recomendação da Usiminas de compra para neutra, com preço-alvo de R$ 8, considerando que os catalisadores positivos já estão precificados. A ação negocia a 5,3 vezes o múltiplo EV/EBITDA projetado para 2026, com potencial de alta limitado.

Segundo o banco, a geração de caixa da Usiminas deve permanecer pressionada pela normalização do capital de giro. Há também risco de resultados mais fracos no segundo trimestre caso os aumentos de preços não se concretizem, em meio à pressão de custos, especialmente com carvão e placas.

Gerdau (GGBR4)

O BofA reiterou a recomendação de outperform para a Gerdau, com preço-alvo de R$ 26. A recomendação é sustentada pela força das operações na América do Norte, com um backlog robusto e expansão de margens, além de novos aumentos de preços.

Apesar da fraqueza no mercado brasileiro, os ganhos de eficiência na divisão de mineração podem compensar parcialmente. A ação negocia a 4,1 vezes o múltiplo EV/EBITDA projetado para 2026, com geração de caixa livre de 7,3%, podendo atingir entre 9% e 10% entre 2027 e 2028.

CSN (CSNA3)

A recomendação para a CSN foi mantida em underperform, com preço-alvo de R$ 6. O banco cita preocupações com a alavancagem da companhia, pois a dívida líquida sobre EBITDA deve se aproximar de 5 vezes em 2026 e superar 5,4 vezes em 2028, com o aumento de investimentos em mineração.

Há também preocupação com o refinanciamento da dívida, o que pode exigir a venda de ativos.

CSN Mineração (CMIN3)

A recomendação para a CSN Mineração também foi mantida em underperform, com preço-alvo de R$ 4. O banco avalia que a ação negocia com prêmio em relação a outras mineradoras de minério de ferro. Além disso, a companhia deve consumir caixa em 2026 devido aos investimentos no projeto P15.

Na visão do banco, questões de liquidez podem levar a decisões desfavoráveis aos acionistas minoritários.

Fraqueza estrutural no mercado de aço

No Brasil, o primeiro trimestre de 2026 foi marcado por decisões de antidumping e reajustes de preços pelas siderúrgicas. Contudo, a implementação dessas medidas tem sido parcial, com dificuldade de repasse. As empresas priorizaram o mix de produtos em detrimento de volumes, refletindo uma demanda ainda frágil.

Mecanismos de evasão continuam reduzindo a eficácia das medidas comerciais, resultando em uma queda de 4,5% nos volumes domésticos de aço no ano.

Em contraste, o mercado norte-americano permanece mais apertado e resiliente, tanto para aços longos quanto planos. A demanda firme, baixos níveis de importação e restrições de oferta impulsionaram os preços no início de 2026. A Gerdau reporta cerca de 90 dias de backlog, sem sinais de enfraquecimento da demanda, e anunciou aumentos de preços, o que pode ampliar margens e resultados no segundo trimestre.

Os preços de aços planos nos EUA surpreenderam positivamente, apoiados por estoques reduzidos e oferta limitada. Ternium e Gerdau devem se beneficiar da redução de capex nos próximos anos, elevando a geração de caixa. Já Usiminas e CSN enfrentam aumento de investimentos, especialmente em mineração, o que deve pressionar o fluxo de caixa.

Fonte: Infomoney

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