A União Europeia expressou otimismo com o resultado eleitoral na Hungria, sinalizando uma potencial mudança nas relações tensas entre o bloco e o país. Lideranças europeias celebraram a vitória, indicando um fortalecimento do caminho europeu para a Hungria.

Líderes europeus, como a presidente da Comissão Europeia, Ursula von der Leyen, e o presidente do Conselho Europeu, Antonio Costa, elogiaram a alta participação eleitoral como um reflexo do “espírito democrático” húngaro. Eles manifestaram expectativa por uma colaboração estreita com o novo governo para impulsionar a prosperidade europeia.
Líderes como o presidente francês Emmanuel Macron e o primeiro-ministro espanhol Pedro Sanchez também saudaram o resultado, destacando o apego do povo húngaro aos valores da União Europeia e antecipando uma cooperação produtiva.
Fim de uma era de relações tensas
A eleição na Hungria representa um ponto de inflexão nas relações entre a União Europeia e o ex-líder Viktor Orban, marcadas por disputas sobre o Estado de direito, vetos táticos em decisões da UE e o bloqueio de pacotes de ajuda à Ucrânia.
A Comissão Europeia indicou a possibilidade de afastar-se da unanimidade em políticas externas, buscando agilizar a colaboração com o novo governo húngaro.
Empréstimo à Ucrânia como primeiro teste
O novo governo húngaro já sinalizou o desejo de ser um parceiro confiável na OTAN e na UE. Um dos primeiros desafios será a aprovação do empréstimo de 90 bilhões de euros para a Ucrânia, um pacote que a Hungria havia bloqueado anteriormente.
Especialistas indicam que a aprovação do empréstimo é provável, com a Hungria adotando uma postura cautelosa e potencialmente neutra em relação ao conflito, sem se opor ao apoio da UE e da OTAN à Ucrânia, mas possivelmente abstendo-se de participar em entregas de armas.
Desbloqueio de fundos da UE
O novo governo húngaro também anunciou a intenção de implementar as reformas exigidas por Bruxelas para liberar fundos retidos, estimados em cerca de 17 bilhões de euros, relacionados a áreas como contratos públicos, combate à corrupção e aplicação da lei.
Analistas preveem que a liberação desses fundos possa ocorrer rapidamente, seguindo um modelo semelhante ao observado na Polônia após a reeleição de Donald Tusk.
Potencial para conflitos e novas alianças
A política anti-imigração, um ponto de atrito histórico entre a Hungria e a UE, pode continuar sendo uma área de conflito, especialmente com a resistência em implementar o novo pacto migratório europeu. No entanto, a proximidade ideológica entre o novo primeiro-ministro húngaro e o polonês Donald Tusk pode abrir espaço para novas alianças dentro do bloco.
A eleição de um governo com posições conservadoras e “eurorealistas” pode fortalecer essas vertentes em debates sobre políticas ambientais e industriais na União Europeia.
Fonte: Dw