O Dólar à vista encerrou o pregão em queda frente ao real, impulsionado por comentários do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, que contribuíram para aliviar a percepção global de risco. Inicialmente, negociações por um acordo de paz entre Estados Unidos e Irã não bem-sucedidas pressionaram os ativos de risco. No entanto, a declaração de Trump sobre o interesse iraniano em um acordo levou a moeda americana à quarta sessão seguida de queda no mercado doméstico, situando-se abaixo do nível psicológico de R$ 5 pela primeira vez em mais de dois anos.
O dólar à vista registrou queda de 0,29%, cotado a R$ 4,9969. Na máxima do dia, a moeda americana atingiu R$ 5,0408.
Apesar da valorização do real, a moeda brasileira ficou distante do topo do ranking das mais apreciadas no dia. O índice DXY, que mede a força do dólar contra uma cesta de seis moedas de mercados desenvolvidos, recuava 0,24%, aos 98,395 pontos.
Câmbio doméstico se destaca em 2024
Nem mesmo a piora nas tensões geopolíticas impediu o rali do real e da bolsa brasileira neste ano. Com apoio do diferencial de juros e dos preços do Petróleo, o câmbio doméstico tem se destacado positivamente. No acumulado do ano, o dólar registra queda de 8,96% frente ao real, consolidando a moeda brasileira como a de melhor desempenho.
Investidores estrangeiros mantêm otimismo com o real
Com base nos preços do petróleo mais altos e na taxa de juros ainda em níveis elevados, investidores estrangeiros seguem atentos à moeda brasileira. Diversos bancos estrangeiros mantêm posições favoráveis ao real em suas listas de recomendações, incluindo Bank of America, Société Générale e Wells Fargo.
Tensões geopolíticas e impacto no mercado
No início do pregão, o dólar exibiu alta frente ao real, motivado pela aversão a risco no exterior, após EUA e Irã não chegarem a um acordo para um cessar-fogo definitivo. Os preços do petróleo voltaram a subir pela manhã, com contratos futuros negociados acima de US$ 100 o barril. Na etapa vespertina, comentários de Trump sugerindo diálogo entre EUA e Irã deram espaço a uma melhora nos mercados globais, refletindo no câmbio doméstico.
A busca por dólar tem ficado cada vez mais fraca, mesmo com as incertezas geopolíticas. Se a questão do petróleo for aliviada, a venda de dólar deve continuar. A tendência só muda quando as eleições entrarem no preço de fato.
O banco holandês ING espera que o dólar global (medido pelo DXY) continue a ser afetado pelos preços da energia, embora um bom interesse de venda deva surgir caso o DXY se aproxime de 99,50 pontos.
Fonte: Globo