A liquidação do Banco Master foi decretada em novembro de 2025, quando o Banco Central constatou que a instituição possuía em caixa apenas 10% do montante necessário para honrar os Certificados de Depósito Bancário (CDBs) de investidores. A informação foi divulgada pelo presidente do Banco Central, Gabriel Galípolo, durante depoimento à Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) do Crime Organizado no Senado.
Galípolo explicou que, após a negativa do BC em autorizar a compra do Master pelo BRB em setembro de 2025, o Fundo Garantidor de Créditos (FGC) arcou com parte do passivo. O valor restante consumiu o caixa do banco, que encolheu ao longo do ano enquanto o BC conduzia a análise da situação.
O presidente do BC também destacou que os ativos do balanço do Master que estavam sendo vendidos para gerar liquidez eram carteiras novas, o que chamou a atenção da autarquia. Em março de 2025, o diretor de fiscalização do BC iniciou uma investigação sobre essas carteiras para encontrar evidências da efetiva ocorrência dos empréstimos.
Processo sancionador e tentativa de aquisição
Em março de 2025, o Banco Central abriu um processo sancionador contra o Banco Master por descumprimento de requisitos mínimos de recolhimento compulsório. Anteriormente, o banco havia firmado um termo de compromisso para adequar seu patrimônio e governança em seis meses.
O processo sancionador foi instaurado em abril de 2025, quando o recolhimento compulsório não foi cumprido. Foi nesse período que surgiu a proposta de aquisição pelo BRB, segundo Galípolo.
Ele ressaltou que a Legislação exige que o Banco Central esgote todas as alternativas de mercado antes de proceder à liquidação de um banco, por ser a opção menos custosa para o sistema financeiro.
Suporte do FGC e decisão correta
A operação entre BRB e Master foi sendo reduzida à medida que o BC analisava e questionava as condições. Em setembro de 2025, o Master já não conseguia captar recursos no mercado. Para manter a liquidez, solicitou suporte ao FGC, que se comprometeu a pagar os CDBs garantidos pelo fundo conforme eles vencessem.
Galípolo considerou a decisão do FGC como correta, pois, em caso de quebra do Master, o fundo teria que cobrir todo o estoque de CDBs.
Rito estrito para evitar questionamentos
Durante seu depoimento, Galípolo afirmou que o Banco Central entende ser fundamental seguir um rito rigoroso para evitar subsídios que possam gerar questionamentos judiciais, como ocorre em liquidações antigas que se arrastam.
Ele acrescentou que o BC tem o dever de cooperar com instituições competentes para investigar o Crime Organizado.
Para Galípolo, é importante normalizar as Relações Institucionais no país, cumprindo as obrigações legais sem exceder as funções e o mandato legal.
Ele enfatizou a necessidade de seguir estritamente o mandato do BC e mencionou que, desde 2018, todas as 16 resoluções sobre Instituições financeiras seguiram essa regra de sigilo dos documentos.
O requerimento de convocação de Galípolo à CPI mencionava uma reunião em novembro de 2024 no Palácio do Planalto, com a participação do presidente Luiz Inácio Lula da Silva, do dono do Master, Daniel Vorcaro, e outros agentes públicos.
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Fonte: Globo