O banqueiro Daniel Vorcaro investiu R$ 70 milhões no Banco Máxima, operação aprovada pelo Banco Central, que garantiu a ele o controle da instituição financeira. Outros sócios aportaram R$ 30 milhões, totalizando um capital de R$ 100 milhões.
A aprovação do Banco Central, em outubro de 2019, ocorreu após uma rejeição inicial em fevereiro do mesmo ano. O banco, adquirido por Vorcaro em 2019, foi posteriormente renomeado para Banco Master em 2021.
Relatos indicam que o primeiro pedido de aprovação foi indeferido por não comprovar a qualidade e a origem dos recursos para capitalizar o Banco Máxima, que enfrentava problemas e suspeitas de fraudes. O BC buscava uma solução de mercado para evitar a liquidação do banco.
Capitalização e controle do banco
Vorcaro, mesmo sem ser o proprietário formal, era considerado um “participante qualificado” do banco. Como dirigente estatutário, ele corria o risco de ter seus bens pessoais bloqueados em caso de liquidação da instituição pelo Banco Central.
Essa possibilidade motivou Vorcaro a aprimorar a estratégia e apresentar recursos que foram aceitos. Ele contou com a consultoria do escritório Warde Advogados para analisar os requisitos do Banco Central.
Origem e comprovação dos recursos
A nova proposta incluiu R$ 70 milhões injetados por Vorcaro, R$ 20 milhões de Augusto Lima e R$ 5 milhões de Alberto Maurício Caló e da empresa 133 Investimentos. A origem de todo o aporte foi devidamente demonstrada ao regulador.
O Banco Máxima emitiu letras financeiras subordinadas para Vorcaro e seus sócios, que foram consideradas como capital de referência. Vorcaro também obteve um empréstimo com fiança bancária para atrelar o aporte ao Máxima.
Aprovação e transformação do banco
Com os recursos e informações organizados, o Banco Central aprovou a transferência de controle durante o período em que Roberto Campos Neto assumiu a presidência da instituição.
Na época, o Banco Máxima possuía R$ 3,9 bilhões em ativos. Posteriormente, como Banco Master, alcançou R$ 83 bilhões em ativos em 2024, mas investigações apontaram supostas fraudes na declaração de ativos para desvio de recursos.
Um documento da Polícia Federal revelou que Daniel Vorcaro apelou ao então diretor de Fiscalização do Banco Central, Paulo Sérgio Neves de Souza, expressando frustração por ter sido “rechaçado” pelo BC.
Investigações posteriores focaram em Paulo Sérgio Neves de Souza e Belline Santana, ex-chefe do Departamento de Supervisão Bancária, por suspeitas de recebimento de pagamentos indevidos para favorecer o Master.
Fonte: Estadão