A Alemanha sediou uma conferência internacional nesta quarta-feira (29) em Berlim para arrecadar fundos destinados a auxiliar as vítimas da Guerra no Sudão. O evento alcançou o montante de €1,3 bilhão (aproximadamente US$ 1,53 bilhão) em promessas de doação, superando os valores obtidos em edições anteriores.

O Conflito, que completa três anos nesta quarta-feira, opõe o exército sudanês, liderado por Abdel-Fattah Burhan, às Forças de Apoio Rápido (RSF), comandadas por Mohamed Hamdan Dagalo. A crise humanitária na África, descrita como uma das maiores do continente, não pode ser esquecida, conforme destacou o Ministro das Relações Exteriores alemão.
Alemanha amplia contribuição para ajuda humanitária
A Alemanha comprometeu-se a destinar mais €212 milhões para assistência humanitária no Sudão. O Ministro do Desenvolvimento alemão anunciou ainda a liberação de €20 milhões adicionais, somando-se aos €155,4 milhões já destinados a projetos no país no final do ano passado. Apesar das restrições orçamentárias, Berlim busca suprir a lacuna de financiamento deixada por cortes significativos na ajuda externa dos Estados Unidos.
Outros países contribuem com doações significativas
O Reino Unido e a Noruega também anunciaram contribuições expressivas. O Reino Unido prometeu £146 milhões (cerca de €168 milhões) e a Noruega €42 milhões. O Ministro das Relações Exteriores britânico apelou por um esforço internacional para conter o fluxo de armas para o Sudão e pressionar por um cessar-fogo. Ele ressaltou a falha da comunidade internacional em atender às necessidades do povo sudanês e a urgência de um cessar-fogo para salvar vidas.
Guerra no Sudão completa três anos sem perspectiva de fim
Enquanto conflitos em outras regiões desviam o foco internacional, a guerra no Sudão continua a causar um alto custo humano. Dados recentes indicam:
- Pelo menos 59.000 mortos, segundo o ACLED, com estimativas de que o número real seja maior.
- Cerca de 4.300 crianças entre as vítimas fatais, de acordo com o UNICEF.
- 19 milhões de pessoas enfrentam fome aguda, conforme o Programa Mundial de Alimentos (WFP).
- Aproximadamente 9 milhões de deslocados internos e 4,5 milhões de refugiados em países vizinhos.
- Cerca de 217 instalações de saúde foram alvos de ataques verificados, segundo a Organização Mundial da Saúde (OMS).
O Secretário-Geral da ONU alertou que as consequências do conflito desestabilizam a região e que o conflito precisa terminar. O conflito teve origem após a deposição do ditador Omar al-Bashir em 2019, com a transição democrática sendo interrompida pelo embate entre Burhan e Dagalo. O interesse internacional nos campos de petróleo e minas de ouro do Sudão intensificou o conflito.
Milhões de pessoas foram afetadas pela violência, incluindo casos de violência sexual, especialmente no Darfur, onde as RSF foram acusadas de crimes de guerra e contra a humanidade. O chefe humanitário da ONU lamentou que mais um ano se passou sem que o mundo respondesse adequadamente ao desafio representado pelo Sudão.
Fonte: Dw