Líbano: Ataque de Israel e Debate sobre Trama para Derrubar Governo

Debate no Líbano sobre um suposto plano do Hezbollah para derrubar o governo, com alegações de que ataques israelenses podem ter frustrado a trama.

Comentadores conservadores sugerem que o recente ataque de Israel ao Líbano, que resultou em centenas de mortos e feridos, pode ter frustrado um plano para derrubar o governo libanês. Erick Stakelbeck, um comentarista americano, afirmou que Israel descobriu uma trama do Hezbollah para destituir o governo, atribuindo a prevenção de um desastre à força aérea israelense.

76782881 1004
76782881 1004
76782881 1004
76782881 1004
76782881 605
76782881 605
76782881 605
76782881 605
76782881 803
76782881 803
76782881 803
76782881 803

No entanto, a existência de tal plano do Hezbollah não foi confirmada por nenhuma das partes envolvidas, incluindo o próprio Hezbollah, nem pelos governos libanês e israelense. O Ministério da Defesa e as Forças Armadas de Israel não responderam aos contatos da DW até o momento da publicação.

Rumores iniciais sobre a tentativa de golpe circularam na mídia israelense, mas a primeira menção online rastreada pela DW veio de um usuário de mídia social conhecido por comentários inflamatórios pró-Israel e anti-Irã. Pouco após os ataques de quarta-feira, este usuário tuitou em árabe que Israel havia frustrado um golpe contra o governo libanês, sem especificar a origem da informação. O boato foi amplificado por outros usuários com opiniões semelhantes.

A narrativa do golpe foi posteriormente divulgada por veículos de comunicação regionais, incluindo jornais libaneses em árabe e francês. Um deles reportou que, segundo fontes informadas, o Hezbollah planejava prender ministros e figuras políticas, além de atacar o primeiro-ministro, e que o ataque israelense teria impedido essa ação.

Por que o golpe parecia plausível

Vários fatores contribuíram para a aparente credibilidade da história do golpe. O primeiro-ministro do Líbano havia anunciado anteriormente que não viajaria aos EUA para conversas com Israel devido às “circunstâncias internas atuais”, o que alguns interpretaram como um sinal de que ele permaneceria para lidar com uma crise interna.

Também circularam rumores de que Israel teria conseguido atingir membros do Hezbollah durante uma reunião virtual no Zoom, que estariam planejando o golpe e revelado suas localizações. Uma porta-voz do Zoom negou essa informação, explicando que os dados de localização obtidos por endereços IP são apenas aproximados e não detalhados o suficiente para ataques aéreos.

É fato que o Hezbollah possui um histórico de confrontos com outras facções do governo libanês, apesar de seus ministros integrarem o gabinete do país. Críticos argumentam que o grupo exerce uma influência considerável sobre o Estado libanês.

Competição política

O Hezbollah desempenha um papel proeminente no Líbano, representando a comunidade muçulmana xiita. O grupo é frequentemente descrito como um “estado dentro de um estado” devido à sua abrangência social e política, e sua ala militar é considerada mais forte que o exército nacional.

O Hezbollah se apresenta como defensor da soberania libanesa e está atualmente em conflito com Israel no sul do Líbano. No entanto, o grupo é aliado do Irã, e ataques recentes a Israel resultaram em uma escalada de ataques israelenses contra o Líbano. Críticos acusam o Hezbollah de arrastar o Líbano para uma guerra em nome de uma potência estrangeira, algo que a maioria da população local rejeita.

Recentemente, membros seniores do Hezbollah criticaram a disposição do governo libanês em negociar com Israel. Conversas entre Líbano e Israel começaram em Washington, após um cessar-fogo entre EUA e Irã, com o objetivo de abordar o papel do Hezbollah no Líbano.

Um membro sênior do Hezbollah comparou a liderança libanesa ao governo de Vichy da França, mas afirmou o compromisso do grupo com a estabilidade, embora tenha admitido a capacidade de “virar o país de cabeça para baixo”.

Especialistas: Golpe improvável

Amal Saad, cientista política especializada em Hezbollah, explica por que um golpe não seria estratégico para o grupo no contexto atual de guerra e deslocamento populacional, pois poderia agravar o sofrimento dos deslocados.

Em 2008, o Hezbollah conseguiu controlar partes de Beirute após uma tentativa do governo de desmantelar sua rede de telecomunicações. Contudo, um ex-oficial de defesa israelense considera um golpe uma possibilidade remota atualmente, citando a lealdade de soldados xiitas no exército libanês ao Hezbollah em caso de conflito.

‘Um pretexto’ para bombardear o Líbano?

Independentemente de sua veracidade, a suposta trama do Hezbollah se tornou um ponto de debate no Líbano, com a percepção variando conforme a afiliação política. A mesma divisão se aplica à visão sobre as recentes conversas em Washington, vistas por alguns como consequência do ataque israelense.

Um professor da Universidade Americana de Beirute escreveu que o Líbano acordou para a possibilidade de paz sob a “falsa impressão” de que o cessar-fogo Irã-EUA incluía o Líbano, e que o Hezbollah estaria focado em derrubar o governo em vez de resolver a crise dos deslocados.

Outra publicação local contrapôs, afirmando que o relato israelense de um golpe do Hezbollah é um pretexto para o bombardeio desproporcional do Líbano. Segundo essa visão, o que incomodou Israel não foi um golpe inexistente, mas sim as dinâmicas de negociações entre EUA e Irã, que poderiam restringir a margem de manobra militar israelense no Líbano. O Líbano, mais uma vez, teria pago o preço humano mais alto.

Fonte: Dw

Adicionar um comentário

Deixe um comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *

Imagens e vídeos são de seus respectivos autores.
Uso apenas editorial e jornalístico, sem representar opinião do site.

Precisa ajustar crédito ou solicitar remoção? Clique aqui.

Publicidade