Críticas de Lula (PT) e aliados ao STF (Supremo Tribunal Federal) nos últimos dias foram uma estratégia para conter o desgaste político causado pelo escândalo do Banco Master. O caso abalou a imagem da corte e tem sido explorado por setores de direita.


O presidente sugeriu que a Constituição fosse alterada para detalhar melhor os parâmetros para indicação de ministros e mencionou a possibilidade de um mandato para integrantes da corte. Senadores aliados articulam uma PEC para disciplinar condutas de ministros e outros agentes públicos.
Lula receia que um projeto do tipo seja sequestrado pela oposição, facilitando, por exemplo, o impeachment de ministros do STF. Apesar de hesitar sobre uma proposta formal, o presidente demonstra interesse no tema e busca entender como outros países controlam condutas de juízes de cortes constitucionais.
As críticas de aliados do presidente ao STF reproduzem o conteúdo dessas conversas, segundo colaboradores. Lula faz críticas severas a atitudes que vieram à tona no escândalo do Master, mas evitou manifestar opiniões publicamente para não desgastar institucionalmente o tribunal e não alimentar a contestação de sua legitimidade.
Prevaleceu o argumento de que o governo não poderia ignorar uma crise já em debate na sociedade. A necessidade de controle do Judiciário foi pautada pela população, segundo um aliado do presidente. Lula pretende se apresentar na campanha eleitoral como um político que se contrapõe à elite econômica, afastando-se do desgaste de uma fraude financeira.
O governo não pode ser visto como parte do problema criado por ministros do STF. A intenção foi se posicionar, sem enviar projetos ao Congresso ou apoiar iniciativas internas de outro poder. Lula julga que seu governo não tem relação com o escândalo, apesar de gestões petistas na Bahia serem citadas.
“Tem que ter na própria Constituição uma definição melhor de quais as exigências que você faz para alguém ser ministro da Suprema Corte”, disse Lula em entrevista ao ICL Notícias. “Precisamos pensar como a gente regula isso na Constituição. Vai ter mandato? De quanto tempo será o mandato?”, questionou.
O presidente do PT, Edinho Silva, declarou que “Deveríamos estar debatendo reforma do Poder Judiciário para que as falhas deixem de acontecer”. O líder histórico do PT, José Dirceu, afirmou que “o rei está nu” e que o tribunal precisa se auto reformar, alertando que uma reforma pelo Parlamento seria pior.
Fonte: UOL