As eleições parlamentares na Hungria, realizadas neste domingo, representam o maior desafio político para o primeiro-ministro Viktor Orbán desde a chegada do partido União Cívica Húngara (Fidesz) ao poder em 2010. O Partido Respeito e Liberdade (Tisza), liderado por Péter Magyar, surge como principal opositor, liderando pesquisas recentes e podendo alterar o cenário político do país.
Caso o Tisza confirme as projeções e conquiste cerca de dois terços dos votos, o modelo de “democracia iliberal” implementado por Orbán nos últimos 16 anos pode ser significativamente impactado. Este modelo combina disciplina social com restrições à dissidência pública, controle sobre o Executivo e a mídia, e ingerência estatal na economia, muitas vezes em desacordo com determinações da União Europeia.
Orbán já havia alterado as leis eleitorais para consolidar a hegemonia do Fidesz. A redução do número de cadeiras parlamentares e a adoção de um sistema híbrido de votação permitiram ao partido manter a maioria em ciclos anteriores. No entanto, denúncias de corrupção, insatisfação econômica e crises morais recentes levaram a uma queda na aprovação do partido.
Péter Magyar, com uma postura de centro-direita e oposição ao euroceticismo de Orbán, tem atraído o apoio de eleitores mais jovens. Projeções indicam que o Tisza pode eleger entre 138 e 143 deputados, enquanto o Fidesz ficaria com 49 a 55 assentos. O partido de extrema-direita Movimento pela Pátria (Mi Hazánk) deve ter uma bancada menor.
A política externa também marcou a campanha, com associações entre o presidente ucraniano Volodymyr Zelensky, Péter Magyar e Ursula von der Leyen, presidente da Comissão Europeia, em cartazes espalhados pelo país.

Fonte: Infomoney