A Polícia Federal informou que um delegado da corporação, atuando no Serviço de Imigração e Controle de Aduanas (ICE) nos Estados Unidos, colaborou para a prisão do ex-deputado federal Alexandre Ramagem, em Orlando. O diretor-geral da PF, Andrei Rodrigues, confirmou a informação e destacou que o trabalho do delegado brasileiro junto ao ICE faz parte de uma cooperação entre autoridades brasileiras e agências norte-americanas.

O delegado brasileiro, que atua em Miami, forneceu alertas sobre Ramagem que foram cruciais para a detenção. Dentro desse acordo de cooperação, a PF também recebe policiais de órgãos estadunidenses.
Questões migratórias e condenação
Ramagem foi detido em Orlando por questões migratórias e levado a um centro de detenção. Autoridades brasileiras foram notificadas da prisão por volta das 12h (horário de Brasília). O ex-diretor da Agência Brasileira de Inteligência (Abin) foi condenado pelo Supremo Tribunal Federal (STF) a 16 anos de prisão por tentativa de golpe de Estado. Ele é acusado de integrar o núcleo crucial da trama para manter o ex-presidente Jair Bolsonaro no poder.
Segundo a Polícia Federal, Ramagem deixou o Brasil clandestinamente antes do fim do julgamento, atravessando a fronteira de Roraima com a Guiana para evitar a prisão e, posteriormente, seguiu para os Estados Unidos. Em janeiro de 2026, o Ministério da Justiça comunicou ao STF o encaminhamento formal do pedido de extradição ao governo norte-americano. A Embaixada do Brasil em Washington enviou a documentação ao Departamento de Estado dos eua em 30 de dezembro de 2025.
Sanções administrativas e políticas
Aliados de Ramagem indicavam que ele pretendia solicitar asilo político nos Estados Unidos. Enquanto esteve no exterior, o ex-parlamentar enfrentou sanções administrativas e políticas. Em 18 de dezembro de 2025, teve o mandato de deputado federal cassado pela Câmara dos Deputados, que em seguida cancelou seu passaporte diplomático. Por determinação do STF, a Câmara também bloqueou seus vencimentos parlamentares.
Fonte: G1