O Paquistão tem sido elogiado por mediar um cessar-fogo entre os Estados Unidos e o Irã, abrindo caminho para negociações de paz nas próximas duas semanas. O primeiro-ministro paquistanês, Shehbaz Sharif, apresentou uma proposta de trégua ao presidente dos EUA, Donald Trump, que concordou em suspender os ataques ao Irã por um período, condicionado à abertura segura e imediata do Estreito de Hormuz pela República Islâmica.


Especialistas em relações internacionais destacam que o Paquistão se posicionou como um intermediário confiável em um momento de alta escalada, ativando canais diplomáticos e transmitindo garantias a ambos os lados. A capacidade de Islamabad de manter laços cordiais tanto com os Estados Unidos quanto com o Irã foi crucial para alinhar interesses imediatos em torno da desescalada.
Islamabad busca um acordo permanente EUA-Irã
A liderança paquistanesa utilizou canais de segurança e diplomáticos estabelecidos com os Estados Unidos, ao mesmo tempo em que manteve um engajamento funcional com o Irã. Essa abordagem permitiu traduzir a intenção geral em uma pausa viável, focando na coordenação para reduzir riscos e criar espaço para o diálogo.
Analistas apontam que o Paquistão buscará manter o ímpeto nas negociações para garantir um acordo mais duradouro entre EUA e Irã antes que a janela de oportunidade se feche. A obtenção do cessar-fogo já é considerada uma conquista notável para Islamabad, que continuará o engajamento intenso com ambas as partes e parceiros-chave para avançar nas conversas.
Caminho com desafios pela frente
Apesar da incerteza sobre a manutenção do cessar-fogo, o primeiro-ministro paquistanês demonstrou otimismo e convidou delegações dos EUA e do Irã para negociações em Islamabad. No entanto, a construção de um acordo negociado entre EUA, Israel e Irã pode ser um processo complexo.
Questões sobre a seriedade de intenções de Irã e EUA em buscar uma paz duradoura permanecem. Teerã desconfia de Washington, enquanto o presidente Trump enfrenta pressão interna e críticas sobre a estratégia adotada. Aliados ocidentais também expressam preocupações, e Israel aceitou o cessar-fogo com relutância, continuando operações no Líbano.
Fatores que podem sabotar o cessar-fogo
O sucesso do cessar-fogo depende, em grande parte, da abertura do Estreito de Hormuz, que foi fechado pelo regime iraniano após ataques a alvos militares e de liderança pelos EUA e Israel. O Irã afirma que a passagem será permitida sob supervisão do exército, enquanto os EUA se oferecem para auxiliar no tráfego marítimo.
Outros pontos de atrito em futuras negociações incluem o programa nuclear iraniano e o estoque de urânio enriquecido. As negociações serão desafiadoras, considerando as questões econômicas do Irã e a possibilidade de concessões em troca de segurança conjunta no Estreito de Hormuz.
O Paquistão também trabalha em um plano separado para um acordo entre Irã e os estados do Golfo, visando evitar futuros ataques iranianos aos seus vizinhos. A participação direta da Arábia Saudita e outros estados do Golfo no conflito é improvável, dada a análise de custo-benefício.
Mesmo que o Irã não cumpra todos os compromissos, o Paquistão provavelmente manterá espaço para incentivar a moderação e facilitar o diálogo. A eficácia dependerá da disposição de ambas as partes em negociar de boa fé. Em caso de violações sustentadas, a influência do Paquistão diminuirá, mas ainda poderá servir como um ator credível para reabrir a comunicação e prevenir um conflito mais amplo.
Fonte: Dw