O Rio Litani, com 145 quilômetros de extensão no Líbano, tornou-se um ponto crítico no conflito regional entre o Hezbollah e Israel. A situação atual evidencia a fragilidade do direito internacional, com o mandato da missão de paz da ONU, a UNIFIL, prestes a expirar no final do ano.

Israel emite ordens de evacuação
No Líbano, o Hezbollah confronta o exército israelense. Em março, o grupo disparou drones e foguetes contra Israel. Em resposta, Israel e os Estados Unidos lançaram ataques aéreos contra o Irã. Autoridades de saúde libanesas reportam quase 2.000 mortos e cerca de 1,2 milhão de deslocados. O exército israelense instruiu a população do sul do Líbano a se deslocar para o norte do Rio Litani, destruindo pontes para dificultar as rotas de suprimento do Hezbollah.
‘Litani deve ser a nova fronteira’, diz ministro
O Ministro da Defesa de Israel, Israel Katz, declarou em 24 de março que as forças israelenses controlariam as pontes remanescentes e a zona de segurança até o Rio Litani. Katz afirmou que Israel planeja criar uma zona de defesa e alertou que não haveria residências em áreas com “terror e foguetes”, em referência ao Hezbollah. Ele também mencionou a tarefa das Forças de Defesa de Israel (IDF) de “acelerar a destruição de casas libanesas em vilarejos fronteiriços”.
O Ministro das Finanças de Israel, Bezalel Smotrich, defendeu em 24 de março que a fronteira de Israel com o Líbano fosse estendida até o rio. Relatórios da mídia israelense indicam que oficiais israelenses sugerem a intenção de capturar uma faixa de pelo menos 30 quilômetros ao norte da fronteira, mas estariam contendo a ofensiva para não desagradar o governo dos EUA, que prefere que Israel se concentre no combate ao Irã.
Histórico de disputas na região
Historicamente, o Rio Litani tem sido palco de conflitos. A Operação Litani, em março de 1978, resultou na invasão israelense do Líbano, ocupando a área ao sul do rio. Estima-se que entre 1.000 e 2.000 pessoas foram mortas e cerca de 280.000 foram deslocadas. Essa invasão foi uma retaliação a um ataque da facção Fatah, que utilizava o sul do Líbano como base para ataques a Israel, resultando na morte de 37 pessoas.
A escalada levou à criação da missão de paz da ONU, a UNIFIL, em 1978, com o objetivo de estabelecer uma zona de segurança entre o Rio Litani e a fronteira com Israel. Após a guerra de 2006, o mandato da UNIFIL foi expandido, exigindo a retirada do Hezbollah para trás do Litani. Israel e os EUA acusaram repetidamente os pacificadores de falharem em conter o Hezbollah. Cortes no financiamento da ONU e pressões políticas levaram à não extensão do mandato da UNIFIL, que expira no final de 2026. Há temores no Líbano de que a retirada das forças de paz da ONU possa intensificar o conflito e alterar a fronteira.
Fonte: Dw