Oncoclínicas reporta prejuízo bilionário e levanta dúvidas sobre continuidade

Oncoclínicas (ONCO3) reporta prejuízo líquido de R$ 1,52 bilhão no 4T25, com Ebitda em queda e incertezas sobre continuidade operacional. Saiba mais.

A Oncoclínicas (ONCO3) divulgou resultados do quarto trimestre de 2025 abaixo das expectativas, registrando um prejuízo líquido de R$ 1,52 bilhão, um aumento significativo em relação aos R$ 759,2 milhões do mesmo período em 2024. O prejuízo por ação ajustado foi de R$ 0,82, superando as estimativas de consenso de R$ 0,21.

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Captura de tela 2025 11 06 104546
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O desempenho mais fraco foi atribuído à queda na receita, decorrente da estratégia da empresa de reduzir a exposição a pagadores com menor qualidade e prazos de pagamento mais longos. Limitações no balanço também restringiram os volumes de atendimento, especialmente devido à oferta limitada de medicamentos.

O lucro antes de juros, impostos, depreciação e amortização (Ebitda) ajustado sofreu uma queda de aproximadamente 45% na comparação anual, atingindo R$ 138 milhões. Este valor ficou consideravelmente abaixo das projeções de bancos como o JPMorgan e do consenso de mercado.

Impacto de eventos não recorrentes

O Goldman Sachs destacou que os resultados foram fortemente impactados por eventos não recorrentes. Houve baixas em unidades operacionais no valor de R$ 711 milhões e a desvalorização de investimentos de curto prazo em R$ 214 milhões. A dívida líquida foi beneficiada por recursos de aumento de capital, antecipação de recebíveis e adiamento de pagamentos, resultando em uma melhora pontual no capital de giro.

Apesar dessas medidas, a companhia ultrapassou os limites de covenants, com alavancagem atingindo 4,3 vezes. Isso levou a Oncoclínicas a solicitar waivers aos detentores de títulos para evitar o vencimento antecipado de obrigações.

Incerteza sobre a continuidade operacional

Os auditores independentes apontaram um capital de giro negativo de R$ 2,3 bilhões, em grande parte devido ao descumprimento de covenants financeiros. Essa situação levou à reclassificação de dívidas de longo prazo para o curto prazo, aumentando o risco de execução por parte dos credores.

A empresa reconhece que essas condições, entre outros fatores, criam uma incerteza relevante sobre sua capacidade de continuar operando, especialmente pela ausência de geração de fluxo de caixa livre. O JPMorgan considera que a continuidade do negócio depende de apoio externo, como potenciais transações com a Porto e a Fleury, que demonstraram interesse nas operações da companhia.

Alternativas em negociação

Diante do cenário, a Oncoclínicas avalia medidas judiciais para se proteger temporariamente da cobrança de credores. A companhia também negocia um aporte de R$ 500 milhões do grupo Porto Seguro, que envolveria a criação de uma nova empresa para abrigar as clínicas de oncologia. O acordo, que tem um termo de exclusividade assinado, está em fase final de negociação.

Outra possibilidade é a entrada do grupo de medicina diagnóstica Fleury no negócio. Adicionalmente, o fundo Mak Capital Fundo propôs um aporte de R$ 500 milhões, condicionado à destituição do conselho de administração atual em assembleia geral extraordinária.

Fonte: Infomoney

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