Carlos Gil, o novo CEO da Oncoclínicas (ONCO3), assumiu a liderança há cinco semanas e já demonstra ciência dos desafios operacionais enfrentados pela companhia. Em teleconferência de resultados do quarto trimestre de 2025, ele destacou a prioridade absoluta em manter a atividade ambulatorial de atendimento aos pacientes.






A empresa reportou um prejuízo líquido de R$ 1,516 bilhão no período, um aumento em relação aos R$ 759 milhões registrados no mesmo trimestre de 2024. O Ebitda ajustado operacional caiu 24%, para R$ 238,8 milhões, e a receita líquida recuou 12,6%, totalizando R$ 1,37 bilhão.
Gil enfatizou que a Oncoclínicas está passando por mudanças estruturais para simplificar a gestão e aprimorar a execução. A alocação de capital está voltada para a retomada do negócio principal: a oncologia ambulatorial.
Desinvestimento e Foco no Core Business
A companhia está se desfazendo de hospitais em Uberlândia, Belo Horizonte e outras regiões, como parte de um esforço para retornar às origens e organizar as finanças. O CEO reconheceu a pressão de liquidez, mas assegurou que a administração está focada em decisões estruturantes para resolver a questão.
O CFO interino, Marcel Vieira, apontou a inadimplência de clientes como um fator que impactou a trajetória de crescimento. A quebra do contrato com a Unimed em agosto do ano passado também é um ponto relevante. A diminuição da receita levou à diluição de custos, com o Ebitda caindo mais de 30%.
Impacto de Covenants e Incertezas
O JP Morgan ressaltou que os resultados do trimestre ficaram abaixo das expectativas, influenciados pela queda na receita e redução de volumes. A estratégia de diminuir a exposição a pagadores de menor qualidade, que exigem prazos de pagamento mais longos, contribuiu para essa situação.
As limitações no balanço restringem os volumes de serviços devido à oferta limitada de medicamentos. Auditores independentes apontaram um capital de giro negativo de R$ 2,3 bilhões, decorrente do descumprimento de cláusulas financeiras em contratos de financiamento (covenants).
A Oncoclínicas já havia sinalizado dificuldades com os covenants, buscando dispensas (waivers) de credores. O índice de alavancagem da empresa está em 4,3 vezes, acima dos limites estabelecidos. Essa quebra levou à reclassificação de dívidas de longo prazo para o curto prazo, com credores podendo exigir pagamento antecipado.
O JP Morgan alerta que essas circunstâncias levantam dúvidas significativas sobre a capacidade da companhia de continuar operando, especialmente sem geração de fluxo de caixa livre. A continuidade do negócio depende de apoio externo, como potenciais transações com Porto Seguro (PSSA3) e Fleury (FLRY3).
Histórico de Expansão e Reorganização
Os problemas financeiros da Oncoclínicas derivam de uma expansão mal-sucedida. Fundada há 15 anos com foco em tratamentos oncológicos, a empresa ampliou seu escopo após o IPO em 2021, incluindo hospitais gerais em sua estratégia. A falta de expertise na gestão dessas novas áreas impactou os resultados.
A companhia, que chegou a adquirir e construir hospitais, enfrenta piora nos resultados, alta alavancagem e consumo de caixa. Medidas como a venda de hospitais e o cancelamento de construções estão em curso. A empresa também desistiu de planos de joint venture na Arábia Saudita.
Ao longo desse processo, a Oncoclínicas realizou capitalizações e teve parte de seu caixa aplicado em CDBs do Banco Master, que também injetou capital na companhia.
Fonte: Moneytimes