O funkeiro MC Ryan SP, nome artístico de Ryan Santana dos Santos, foi preso temporariamente nesta quarta-feira (15) na Operação Narco Fluxo, da Polícia Federal. Ele é suspeito de chefiar um esquema criminoso que movimentou R$ 1,6 bilhão, utilizando plataformas de apostas online, rifas ilegais e empresas ligadas à produção musical e ao entretenimento para lavar dinheiro do tráfico de drogas e do crime organizado.
A defesa de MC Ryan SP afirmou que os valores movimentados pelo artista possuem origem comprovada e são devidamente tributados. A operação da PF visa desarticular um grupo especializado em blindagem patrimonial e ocultação de valores, que transferia bens para familiares e “laranjas” para reintegrar o capital ilícito à economia formal.
Estrutura criminosa e operadores financeiros
Segundo a investigação, MC Ryan SP utilizava empresas do setor de entretenimento para misturar receitas legítimas com recursos de atividades ilegais. A intermediação de contratos e pagamentos entre as plataformas de apostas ilegais e a estrutura criminosa era realizada por Alexandre Paula de Sousa Santos, conhecido como Belga. Ele recebia valores de processadoras de pagamento e os repassava para empresas ligadas ao artista e outros operadores.
Tiago de Oliveira, apontado como “braço direito” e procurador de MC Ryan SP, era responsável pela gestão financeira do artista. A PF aponta que ele atuou em negociações imobiliárias e financeiras, demonstrando ciência das irregularidades na cadeia de propriedade dos bens.
Desdobramentos e conexões
A Operação Narco Fluxo é um desdobramento das operações Narco Bet e Narco Vela, que investigaram esquemas de lavagem de dinheiro ligados ao tráfico internacional de drogas. O contador Rodrigo de Paula Morgado, investigado por suspeita de ligação com o PCC, é apontado como operador-chave do grupo, auxiliando em estratégias de proteção patrimonial e gestão financeira.
O juiz Roberto Lemos dos Santos Filho destacou a atuação coordenada dos investigados em diferentes etapas do ciclo de lavagem de capitais, com Ryan como beneficiário central. O esquema utilizava uma estrutura empresarial e rede de operadores para movimentar e ocultar valores provenientes de apostas ilegais e rifas digitais em escala nacional e internacional.
Ao todo, foram cumpridos 45 mandados de busca e apreensão e 33 mandados de prisão temporária.
Fonte: Estadão