A guerra no Irã gera incertezas na economia global, mas o Brasil apresenta um desempenho surpreendente em sua taxa de câmbio. Desde a eclosão do conflito, o real não só evitou a desvalorização esperada, como também se apreciou em mais de 2%.
Em março, o real superou a maioria das moedas de emergentes comparáveis, com desvalorizações significativamente menores. Embora outras moedas emergentes tenham se recuperado com o retorno do apetite por risco global, o Brasil demonstra resiliência.
A combinação de juros muito altos no país e o fato de o Brasil ser um exportador líquido de petróleo e derivados são vistos como os principais fatores por trás do bom desempenho da moeda brasileira. A alta do barril de petróleo, em particular, deve melhorar a balança comercial do setor.
Impacto do petróleo na balança comercial
A elevação do preço do Petróleo tende a aprimorar a balança comercial de petróleo e derivados do Brasil. Estimativas indicam uma melhora significativa no saldo positivo, que pode representar uma parcela considerável do Produto Interno Bruto (PIB).
Juros altos e expectativas inflacionárias
O cenário de choque inflacionário, intensificado pelo encarecimento do petróleo, está levando a uma reavaliação da trajetória de juros no Brasil. A expectativa de cortes na taxa Selic foi reduzida, tornando o país ainda mais atrativo para investidores externos em busca de remuneração elevada.
Competitividade política e atratividade global
Pesquisas eleitorais que indicam maior competitividade da oposição também contribuem para o cenário. O mercado financeiro percebe uma menor probabilidade de que o governo atual promova ajustes fiscais estruturais. Essa combinação de fatores, aliada à posição do Brasil como exportador líquido de petróleo e aos juros elevados, o destaca em comparação com outras regiões globais que dependem mais de importações de Energia e oferecem juros menores.
Fonte: Estadão