A gigante francesa do luxo lvmh, dona da Louis Vuitton, informou que a guerra no Oriente Médio impactou suas vendas no último trimestre, resultando em uma redução de pelo menos 1% no faturamento total. A diminuição nos gastos na região do Golfo e a menor chegada de turistas à Europa contribuíram para o resultado negativo.






A LVMH, primeira grande empresa de luxo a divulgar seus resultados trimestrais, pode gerar preocupações entre investidores sobre o efeito do conflito no Golfo na recuperação do setor de luxo, avaliado em US$ 400 bilhões. As ações da LVMH nos EUA caíram 3,75% e as da Kering, proprietária da Gucci, recuaram 1,5%.
As vendas globais trimestrais da empresa, que também detém marcas como Dior, joias Bulgari e Hennessy, apresentaram um aumento de 1% com ajustes cambiais, ficando ligeiramente abaixo das estimativas de analistas, que previam um crescimento de 1,5%.
A diretora financeira do grupo, Cecile Cabanis, destacou que a situação no Oriente Médio não apresentou melhoras significativas desde a interrupção das atividades comerciais no início da guerra. “O que vemos hoje é que a demanda continua muito baixa”, afirmou.
Região é crucial para o mercado de luxo
A crise no Oriente Médio desacelera a recuperação do mercado de luxo. As vendas em shoppings de Dubai registraram quedas de até 50% após os ataques conjuntos entre eua e Irã no final de fevereiro, que intensificaram o conflito na região. As vendas de carros de luxo também enfrentam ameaças.
Cabanis informou que o fluxo de clientes em shoppings de uma região que representa 6% do faturamento da LVMH caiu inicialmente entre 30% e 70%, com uma média de 50%. “O oriente médio é um mercado bastante lucrativo. Se você perde 1 euro em vendas, provavelmente perderá um pouco mais em sua margem de lucro”, acrescentou.
O conflito também afetou as vendas na Europa, que registraram queda de 3%, devido à valorização do euro e ao próprio conflito, segundo a LVMH.
“Já vimos dois ou três anos de crise no setor de luxo”, comentou Laurent Chaudeurge, membro do comitê de investimentos da gestora de ativos BDL. “E justamente quando esperávamos sair da crise, ela nos atinge novamente no Oriente Médio.”
A maioria dos analistas projeta que 2026 será um ano de crescimento para o setor de luxo, incluindo a LVMH, após mais de dois anos de estagnação. A LVMH relatou melhorias na maioria das categorias e regiões, com exceção do impacto da guerra.
As ações do conglomerado, controlado pelo bilionário Bernard Arnault, caíram 26% desde o início do ano, apresentando um dos piores desempenhos entre as grandes empresas europeias.
Moda e couro registram baixa
As vendas da principal divisão de couro e moda da LVMH, responsável por cerca de 80% dos lucros operacionais no ano passado, caíram 2% organicamente, abaixo das expectativas de 1%.
Este foi o sétimo trimestre consecutivo de queda nas receitas desta divisão.
O desempenho individual das marcas Louis Vuitton e Dior, que passa por reformulação sob o comando de Jonathan Anderson, alinhou-se ao da divisão como um todo, segundo a empresa.
A demanda nos Estados Unidos foi o principal ponto positivo, com vendas apresentando crescimento orgânico de 3%. A LVMH informou que a guerra, até o momento, não afetou o ritmo de consumo no país.
Os gastos com artigos de luxo nos EUA aumentaram durante o primeiro trimestre, segundo dados de cartões de crédito analisados por especialistas do Citi, com consumidores gastando mais em compras individuais.
No entanto, a confiança do consumidor nos Estados Unidos atingiu um nível baixo no início de abril, e os consumidores antecipam um aumento da inflação nos próximos 12 meses.
Fonte: Moneytimes