A diversidade e inclusão são pautas de negócios, defende Carolina Ignarra, CEO da Talento Incluir. Para a especialista, enquanto algumas empresas cumprem exigências legais ou respondem à pressão social, outras veem a inclusão como oportunidade de negócio, o que diferencia iniciativas superficiais de empresas que evoluem financeiramente com a inclusão em sua agenda corporativa.
“Quando a inclusão é feita de forma digna e estruturada, todo mundo ganha. A empresa cumpre a obrigação, mas também colhe os benefícios: a pessoa é produtiva, entrega resultados, a organização se fortalece com isso”, afirma Ignarra, palestrante do São Paulo Innovation Week.
O que é uma política de inclusão robusta?
Uma política de inclusão eficaz considera a cultura da empresa e os avanços ao longo do tempo. Empresas com décadas de experiência em inclusão, por exemplo, possuem estratégias diferentes das que estão começando agora. A evolução da cultura social exige adaptação das práticas.
A Talento Incluir indica uma estratégia mínima para inclusão consistente: engajamento legítimo da alta liderança, acompanhamento por meio de dados e indicadores, e preparação contínua da liderança de linha de frente. O envolvimento genuíno da liderança é crucial para promover uma transformação cultural.
Impacto financeiro da diversidade e inclusão
Apesar de uma desaceleração recente em algumas frentes, diversidade e inclusão são pautas de negócio. Iniciativas podem começar por obrigações legais ou pressão social, mas o diferencial está na convicção. Empresas que avançam mais o fazem por convicção, integrando pessoas diversas no desenvolvimento de produtos e processos de decisão, o que gera resultados mais consistentes.
Superando o capacitismo estrutural
O capacitismo estrutural, presente desde o nascimento, afeta o desenvolvimento de pessoas com deficiência. A falta de preparo em saúde, educação e no próprio mercado de trabalho, somada a vieses cognitivos e ao silenciamento sobre o tema, dificulta a inserção e o protagonismo profissional. A “fadiga de acesso” descreve o cansaço de lutar por condições básicas de inclusão.
Empresas anticapacitistas: um caminho estruturado
Para se tornar anticapacitista, uma empresa precisa primeiro reconhecer a existência do capacitismo. A alta liderança, assim como áreas como marketing e jurídico, deve estar preparada. Canais de denúncia e a inclusão de pessoas com deficiência nas discussões são essenciais, seguindo o princípio “Nada sobre nós sem nós”. Decisões como a preferência pelo home office devem considerar o risco de reforçar a invisibilidade se ligadas à falta de acessibilidade.

Fonte: Estadão