A adoção de novas tarifas comerciais pelos Estados Unidos, um ano após a implementação do chamado “Dia da Libertação”, continua a gerar volatilidade. Mudanças recentes na Seção 232 alteraram a exposição da WEG (WEGE3), fazendo com que a sensibilidade da companhia dependa mais do tipo de produto do que da geografia.
A introdução de alíquotas escalonadas, isenções mais claras e limites para equipamentos de rede visa reduzir distorções competitivas. No entanto, a aplicação de tarifas sobre o valor total dos produtos, em vez de apenas sobre o conteúdo metálico, atenua parte desses benefícios.
Impactos das tarifas na WEG
Anteriormente, as tarifas incidiam apenas sobre o conteúdo metálico dos produtos importados, com uma taxa fixa de 50%. Agora, o cenário é o seguinte:
- As tarifas são escalonadas (50%, 25% ou 15%) e aplicadas sobre o valor total do produto.
- Há isenções mais claras para itens com menos de 15% de metal.
- Equipamentos de rede passaram a ter tarifas limitadas e temporárias.
Na prática, motores e geradores permanecem como o principal foco de exposição, com tarifas em torno de 25%. Equipamentos de rede agora possuem um regime limitado, e produtos de automação tendem a ser isentos.
A XP Investimentos estima um impacto tarifário equivalente a cerca de 3,6 pontos percentuais da receita consolidada, o que representa entre 12% e 13% das receitas nos Estados Unidos. Contudo, a casa acredita que a WEG e o setor conseguirão repassar os custos tarifários aos clientes, mitigando o impacto direto nas margens.
Estimativas de exportação e recomendação
Com base em dados de exportações da Secex, o JPMorgan estima que as exportações da WEG no primeiro trimestre de 2026 somaram US$ 292 milhões, uma queda de 6% em relação ao ano anterior. O segmento de GTD (geração, transmissão e distribuição) apresentou desempenho positivo, com alta de 10% ano contra ano, enquanto equipamentos eletroeletrônicos industriais (IEE) e motores (AM) recuaram 11%.
Nesse contexto, o JPMorgan projeta um crescimento de aproximadamente 5% nas receitas externas da WEG em dólares no primeiro trimestre de 2026. A casa mantém recomendação neutra para a ação, com preço-alvo de R$ 49, destacando que o papel negocia a 32,9 vezes o lucro projetado para 2026, um múltiplo considerado elevado em comparação com pares globais (24,7 vezes), especialmente diante de um cenário mais fraco para o primeiro semestre.


Fonte: Infomoney