O Ibovespa, principal índice da Bolsa brasileira, encerrou a sexta-feira em alta de 1,12%, atingindo 197.323,87 pontos. Este patamar representa o maior fechamento histórico, superando a marca do dia anterior. Com o resultado, o índice acumulou uma alta de 4,93% na semana, a terceira consecutiva e a melhor performance semanal desde janeiro.
A sequência de nove altas seguidas não era vista desde o período entre 22 de outubro e 11 de novembro do ano passado, quando o índice registrou quinze pregões positivos consecutivos. Além disso, o Ibovespa atingiu uma nova máxima histórica intraday, com 197.553,64 pontos.
No câmbio, o real apresentou a terceira alta seguida, com o dólar comercial recuando 1,02% e fechando a R$ 5,011. Na mínima do dia, a moeda americana chegou a R$ 5,005. Os juros futuros (DIs) encerraram o dia mistos, em meio a um pregão de alta volatilidade.
Tensão Geopolítica no Oriente Médio
O cenário internacional foi marcado pela continuidade das tensões entre Estados Unidos e Irã. O presidente dos EUA, Donald Trump, afirmou que a única razão pela qual os iranianos estão vivos é para negociar. Em resposta, o presidente do Parlamento do Irã, Mohammad Bagher Ghalibaf, condicionou o início das negociações, previstas para sábado (11) no Paquistão, ao cumprimento de um cessar-fogo no Líbano e à liberação de ativos iranianos bloqueados.
Enquanto isso, apenas navios ligados ao Irã cruzam o Estreito de Ormuz. Israel manteve bombardeios no Líbano, que, após inicialmente recusar, passou a aceitar negociar uma paz. As negociações em Islamabad ocorrerão em um contexto de declarações beligerantes de ambos os lados, com o vice-presidente dos EUA, JD Vance, alertando o Irã a não “brincar conosco”.
Perspectivas Econômicas Globais
Apesar das tensões, o cenário é considerado mais promissor do que no mês anterior. Stephen Parker, co-chefe de estratégia de investimento global do J.P. Morgan, avalia que a queda nos mercados de ações, especialmente nos EUA, pode ser menos impactante do que o choque nos mercados de energia. O cenário base da instituição prevê uma queda gradual nos preços da energia nos próximos três a seis meses, com impacto moderado no crescimento e um pequeno aumento na inflação, mantendo um ambiente construtivo para as ações, especialmente com a expectativa de uma temporada de balanços positiva.
Os preços do petróleo, embora ainda acima de US$ 90, seguem amenizando e abaixo de US$ 100, aguardando o desfecho das negociações no Paquistão. O ouro fechou em queda, refletindo a cautela do mercado.
Inflação nos EUA e no Brasil
Nos Estados Unidos, o Índice de Preços ao Consumidor (CPI) de março registrou alta de 0,9%, em linha com as expectativas, mas sentindo o impacto da guerra. O núcleo do índice, que exclui energia, mostrou-se comportado. A economista Andressa Durão, do ASA, destacou que o dado de março reflete o forte impacto da guerra na inflação cheia, mas sem contaminação nos núcleos, com surpresas baixistas na inflação de bens e serviços.
A confiança do consumidor americano caiu para o nível mais baixo de todos os tempos em março, com as pessoas prevendo aumento na inflação nos próximos 12 meses. O Federal Reserve (Fed) considera que a redução da inflação pode levar mais tempo, mas projeta que haverá espaço para reduzir juros após a estabilização dos preços de energia com a reabertura do Estreito de Ormuz.
No Brasil, o Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) de março subiu 0,88%, acima do esperado pelo mercado e próximo ao CPI americano. Segundo Alexandre Maluf, economista da XP, os dados já refletem o impacto da guerra na inflação global.
Fonte: Infomoney