FMI afasta meta de pleno emprego de Sánchez para Espanha

FMI revisa projeções econômicas para Espanha, prevendo desaceleração do crescimento e desafios fiscais a longo prazo.

A economia espanhola exibe um desempenho notável, superando parceiros europeus. Previsões de primavera do Fundo Monetário Internacional (FMI) confirmam o progresso da Espanha, que evoluiu de uma posição de retaguarda na União Europeia para se tornar um aluno avançado. Contudo, o FMI aponta que a economia espanhola ainda enfrenta desafios significativos.

Gráfico de projeção de crescimento da economia espanhola
Projeção de crescimento econômico da Espanha.
Gráfico de evolução do PIB espanhol
Evolução do Produto Interno Bruto (PIB) da Espanha.
Gráfico de projeção de inflação na Espanha
Projeção de inflação para a Espanha.
Gráfico de dívida pública espanhola
Nível da dívida pública da Espanha em relação ao PIB.
Gráfico de emprego na Espanha
Evolução do número de empregos na Espanha.

O FMI projeta que a Espanha crescerá 2,1% este ano, uma desaceleração em relação aos 2,8% do ano anterior. Essa redução é atribuída ao fim dos fundos europeus e às medidas de apoio fiscal implementadas pelo governo para mitigar os efeitos da guerra na Ucrânia, da crise inflacionária e das consequências da guerra no Oriente Médio. As projeções indicam um resfriamento gradual da atividade econômica, com um desempenho de 1,7% a partir do próximo ano.

O organismo multilateral estima um impacto limitado da guerra no Oriente Médio na Espanha, desde que a situação não se agrave substancialmente. Espera-se que a incipiente crise energética não afete excessivamente os preços, evitando uma espiral inflacionária. A previsão é que o Índice de Preços ao Consumidor (IPC) suba para 3% este ano e caia para 2,1% no próximo.

Sanear as contas públicas

Apesar do esforço do governo em sanear as contas públicas, reduzindo o déficit de 10% em 2020 para 2,4% do PIB em 2025, as previsões do FMI indicam que o déficit público permanecerá estável nos próximos anos, dada a ausência de novas reformas estruturais.

A dívida pública, que fechou o ano passado em 100,4% do PIB, deve ter uma redução mais lenta. O FMI calcula que, mesmo em 2031, a dívida não conseguirá baixar de 90%, a menos que surja uma nova crise que exija mais recursos públicos.

Organismos de supervisão nacionais e internacionais criticam o governo por não ter aproveitado os anos de crescimento sólido para criar uma reserva financeira para tempos difíceis. Embora as obrigações fiscais tenham sido cumpridas, ainda havia espaço para melhorias.

A estratégia do governo de Pedro Sánchez para a consolidação fiscal pós-pandemia utilizou os rendimentos extraordinários do crescimento econômico para equilibrar as contas, ao mesmo tempo em que reestruturava o gasto público após anos de cortes do governo anterior.

Mais gastos e maior arrecadação

O governo Sánchez aumentou o gasto público para construir o chamado escudo social, elevando o gasto das administrações públicas de 41% do PIB em 2018 para uma média de 45% do PIB. O FMI prevê que esses níveis se mantenham até o final da década.

Em contrapartida, as receitas aumentaram de 37% há oito anos para cerca de 42%, com previsão de elevação para 43% até o final da década.

O FMI também projeta que, até o final de 2027, haverá quase 23 milhões de pessoas empregadas na Espanha. A reforma trabalhista de 2022 alterou a dinâmica do emprego, com a criação de mais de três milhões de postos de trabalho desde sua aprovação.

Mais emprego, mas persistência do desemprego

Um dos obstáculos estruturais persistentes é a taxa de desemprego. Apesar da promessa do presidente do governo de reduzir o desemprego para menos de 8% ao final da legislatura, os dados do FMI indicam que a taxa dificilmente cairá abaixo de 10% nos próximos anos. Estima-se que, até o final da década, a Espanha terá uma população superior a 52 milhões de pessoas.

Outro ponto de atenção identificado pelo FMI é o baixo nível de investimento, que deve permanecer abaixo de 21% do PIB ao longo da década. Esse patamar é considerado insuficiente diante dos desafios de transição energética e tecnológica que o país enfrenta.

Fonte: Elpais

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