EUA facilitam diálogo direto entre Israel e Líbano em Washington

Estados Unidos mediam diálogo direto inédito entre Israel e Líbano em Washington para buscar um caminho para a paz na tensa região do Oriente Médio.

Secretário de Estado dos Estados Unidos, Marco Rubio, mediou as primeiras conversas diretas entre representantes de Israel e do Líbano em décadas. O encontro, realizado em Washington, foi descrito como produtivo por ambas as partes, embora não haja clareza imediata sobre um Acordo de Paz.

A reunião marca um raro momento de diálogo entre governos que, tecnicamente, estão em estado de guerra desde a fundação de Israel em 1948. As delegações apresentaram agendas distintas: Israel descartou discussões sobre um Cessar-Fogo no Líbano e exigiu o desarmamento do Hezbollah, enquanto o Líbano buscou um cessar-fogo, o retorno de deslocados e alívio humanitário.

O Departamento de Estado dos EUA informou que os lados tiveram “discussões produtivas sobre medidas para iniciar negociações diretas”, mas o comunicado não detalhou um consenso.

Contexto do conflito e negociações

O encontro ocorre em um momento de alta tensão no Oriente Médio, uma semana após um cessar-fogo frágil entre Estados Unidos, Israel e Irã. O conflito regional se intensificou com ataques conjuntos de EUA e Israel contra o Irã em 28 de fevereiro, seguidos por ações do Hezbollah em apoio a Teerã, resultando em uma ofensiva israelense que causou milhares de mortes e deslocamentos em massa no Líbano.

A participação de Marco Rubio sinalizou o empenho de Washington em buscar progresso, especialmente diante da pressão sobre o presidente Donald Trump para resolver a crise, que causou interrupções significativas no fornecimento de petróleo.

Avanços e desafios nas conversas

O embaixador de Israel nos EUA, Yechiel Leiter, afirmou que o governo libanês indicou que não será mais “ocupado” pelo Hezbollah, uma milícia alinhada ao Irã. Ele não confirmou se Israel suspenderia seus ataques.

A embaixadora libanesa, Nada Moawad, classificou a reunião como “construtiva” e reiterou os pedidos por um cessar-fogo e ajuda humanitária. O governo libanês, liderado pelo presidente Joseph Aoun e pelo primeiro-ministro Nawaf Salam, busca desarmar o Hezbollah pacificamente, apesar de objeções do próprio grupo, o que reflete tensões internas no Líbano.

Autoridades libanesas indicaram que Moawad tinha autoridade apenas para discutir um cessar-fogo, enquanto Israel se recusou a debater o tema, evidenciando a divergência entre as partes.

Próximos passos e esperanças

Apesar das complexidades, Rubio expressou esperança de que as conversas estabeleçam uma estrutura para a paz. Leiter mencionou a possibilidade de novas conversas nas próximas semanas, mas sem datas ou locais definidos. A participação de outros diplomatas americanos, como Michael Needham e Mike Waltz, reforçou o apoio dos EUA ao processo.

Fonte: Infomoney

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