O primeiro-ministro espanhol, Pedro Sanchez, iniciou sua quarta visita à China em quatro anos, posicionando a espanha como uma ponte entre Pequim e a União Europeia em um momento de tensões nas relações europeias com os Estados Unidos.
Sanchez declarou em Pequim que acredita ser do interesse da espanha e da Europa fortalecer os laços com a China. A visita foca em aprimorar a cooperação econômica com a segunda maior economia do mundo. O primeiro-Ministro espanhol descreveu o déficit comercial entre China e Espanha como “excessivo”, com a China respondendo por 74% do déficit comercial total da Espanha em 2025, um valor considerado insustentável a longo prazo.
Acordos foram firmados para expandir o acesso de produtos agrícolas espanhóis ao mercado chinês e para apoiar o desenvolvimento dos setores de transporte e infraestrutura da Espanha. Sanchez destacou a busca por uma economia globalizada e equilibrada, que promova prosperidade compartilhada e um “multipolar order construído sobre respeito e pragmatismo”.
China-UE: desequilíbrio comercial é insustentável
A Espanha busca reduzir um déficit comercial que mais que dobrou em quatro anos. A meta é alcançar um comércio mais equilibrado e globalizado, gerando prosperidade mútua. Sanchez enfatizou a necessidade de avançar para uma ordem multipolar baseada em respeito e pragmatismo.
Sanchez elogia papel da China no Oriente Médio
O governo espanhol, que enfrenta relações tensas com os EUA devido à sua posição sobre o conflito no Oriente Médio, busca fortalecer os laços políticos e econômicos com Pequim. A Espanha se opôs a ações militares na região, gerando atrito com Washington.
Os esforços da Espanha para impulsionar o comércio com a China ocorrem após ameaças de Donald Trump de cortar relações comerciais, em resposta à recusa espanhola em permitir o uso de suas bases militares para ataques dos EUA contra o Irã. Sanchez também saudou o papel da China na busca por soluções para o conflito no Oriente Médio, considerando a diplomacia chinesa essencial para a estabilidade e paz na região.
“Todas as nações, especialmente aquelas que estão em diálogo e não participaram ativamente desta guerra ilegal, não são apenas bem-vindas, mas também absolutamente necessárias”, afirmou Sanchez.
China e UE devem assumir maior papel global
O premiê espanhol alertou para a erosão do direito internacional e defendeu uma cooperação mais estreita para promover paz e prosperidade. Ele argumentou que a China deveria assumir um papel mais proeminente em desafios globais como mudanças climáticas, segurança, defesa e desigualdade.
Em discurso na Universidade Tsinghua, Sanchez ressaltou que a Europa precisa intensificar seus esforços, especialmente com a retirada dos Estados Unidos de papéis de liderança em diversas frentes. Em discussões com o presidente Xi Jinping, Sanchez abordou a necessidade de reformas no sistema global multilateral, enfatizando o reconhecimento da “realidade multipolar do mundo atual”.
Por sua vez, o presidente Xi Jinping alertou contra um retorno à “lei da selva”, descrevendo o cenário global como caótico e com um “ordem internacional em desmoronamento”. Ele também destacou que laços mais profundos entre China e Espanha seriam benéficos para ambos os países.
A visita de Sanchez ocorre em um contexto em que muitos governos ocidentais buscam melhorar relações com Pequim, apesar das tensões de segurança e comerciais, e das preocupações com direitos humanos, em meio a um crescente desconforto com as políticas dos EUA sob Donald Trump.
Fonte: Dw