O prefeito de Cabedelo, na Paraíba, Edvaldo Neto (Avante), foi afastado do cargo nesta terça-feira (14) em uma operação que investiga um esquema de fraudes em licitações e desvio de recursos públicos, com suspeita de ligação com a facção criminosa “Tropa do Amigão”, apontada como braço do Comando Vermelho na região. As investigações apontam que desvios podem chegar a R$ 273 milhões.
A operação, deflagrada pelo Grupo de Atuação Especial contra o Crime Organizado (Gaeco) do Ministério Público da Paraíba e pela Polícia Federal, busca desarticular um suposto “consórcio político-criminoso” formado por agentes públicos, empresários e integrantes do Comando Vermelho. Segundo as investigações, a administração municipal teria sido capturada pela facção.
Modus Operandi e Captura do Estado
O esquema consistia na utilização da empresa Lemon Terceirização e Serviços Ltda. para a inserção de indicados da facção na máquina pública, por meio de contratações direcionadas. Recursos públicos eram desviados sob a forma de pagamentos de mão de obra. Em contrapartida, haveria a manutenção do domínio territorial, com garantia de estabilidade política e redução de conflitos armados.
A Polícia Federal identificou “fluxo financeiro ilícito oriundo de contratos públicos alimentando a organização criminosa”, uma “rede de vínculos pessoais e institucionais entre agentes públicos e operadores privados” e a “utilização da estrutura estatal como braço logístico e financeiro da facção”. A investigação conclui que o caso revela um “modelo sofisticado de captura do Estado”.
Contexto Político e Eleitoral
Edvaldo Neto venceu a eleição suplementar em Cabedelo no domingo, 12, dois dias antes de ser afastado. Ele já atuava como prefeito interino após renunciar à presidência da Câmara de Vereadores em dezembro do ano passado. O ex-prefeito André Coutinho e a vice-prefeita Camila Holanda foram cassados anteriormente por irregularidades eleitorais e envolvimento com facções criminosas, ambos negam as acusações.
Ao todo, 21 mandados de busca e apreensão foram expedidos pelo Tribunal de Justiça da Paraíba. Outros três servidores municipais também foram afastados de suas funções.