Dólar abaixo de R$ 5: analistas debatem hora de investir lá fora

Com dólar abaixo de R$ 5, analistas debatem se é hora de investir lá fora. Especialistas apontam oportunidade, mas alertam sobre estratégia e riscos.

O dólar fechou abaixo de R$ 5 pela primeira vez em dois anos, mantendo-se nesse patamar na sessão seguinte. Essa movimentação gera dúvidas entre investidores sobre a oportunidade de comprar ativos no exterior ou se o cenário pode se reverter.

Especialistas ouvidos pelo InfoMoney indicam que a decisão de investir lá fora depende menos do nível do câmbio e mais da estratégia individual. No entanto, ignorar esse momento pode ter custos no longo prazo.

Movimento conjuntural ou estrutural?

A análise da queda do dólar divide opiniões. Marcus Novais, da Private Investimentos, considera o movimento predominantemente conjuntural, impulsionado pelo possível cessar-fogo no Oriente Médio, mas já sustentado por fatores como o diferencial de Juros elevado entre Brasil e EUA, a rotação de fluxos globais e a percepção do Brasil como porto seguro entre os emergentes.

Paulo Monteiro, da Gravus Capital, enxerga um enfraquecimento do Dólar, não um fortalecimento do real. Ele aponta componentes estruturais ligados ao desequilíbrio fiscal americano e ao desgaste das relações dos EUA com Europa e Ásia. Contudo, pondera que o cenário interno brasileiro pode influenciar a valorização do real ou afastar investidores.

Régis Chinchila, da Terra Investimentos, explica que o dólar mais fraco reflete o fluxo para mercados emergentes, com o Brasil se destacando pelo diferencial de juros e valuation atrativo. Ele vê isso mais ligado a fluxo e posicionamento do que a uma tendência estrutural, alertando para o risco de reversão em caso de deterioração do ambiente global.

Cristiano Luersen, da Wiser Investimentos, compara o câmbio a uma maré, com o fortalecimento do real sendo conjuntural e sustentado por apetite a risco, diferencial de juros e alívio externo. O risco de reversão existe, especialmente se o mercado precificar Inflação mais dura nos EUA ou piora na percepção fiscal doméstica.

Beto Saadia, da Nomos, apresenta uma visão mais otimista, acreditando que o movimento é estrutural e projeta continuidade até R$ 4,80.

Uma janela, não uma garantia

Independentemente da classificação do movimento, analistas concordam que o câmbio nesse patamar representa uma oportunidade de entrada para quem tem baixa exposição internacional.

Marcus Novais resume que o câmbio mais barato é um convite, não uma garantia. Comprar ativos em dólar nas mínimas de um ciclo tende a ser uma boa decisão no médio e longo prazo, especialmente para quem ainda não diversificou.

Felipe Izac, da Nexgen Capital, sugere uma abordagem gradual, enviando um pouco hoje e ajustando conforme o mercado, para evitar a armadilha de acertar o momento exato.

Sidney Lima, da Ouro Preto Investimentos, traduz o momento como uma questão de assimetria, onde a apreciação do real historicamente abre janelas para dolarização gradual, reduzindo o custo de entrada em ativos globais.

O que comprar lá fora?

Novais destaca renda fixa americana de curto prazo, ações americanas com seletividade e ouro. Ações europeias também entram no radar.

Saadia sugere tecnologia americana, como Microsoft e Alphabet, mas prioriza ativos locais. Izac ressalta fundos com gestão ativa e renda fixa curta em dólar. Lima aponta ações americanas e ETFs globais diversificados.

Chinchila propõe uma estratégia mista, combinando exposição internacional com ativos domésticos. BDRs e ETFs internacionais permitem acesso a mercados globais com praticidade, enquanto a B3 oferece oportunidades com o fluxo estrangeiro.

O que fazer se já tenho posição?

Para quem já possui ativos internacionais e vê a rentabilidade em reais diminuir com a queda do dólar, a dica é não confundir ilusão contábil com perda real.

Novais explica que, se o ativo performou bem em dólar, o investidor está ganhando em moeda forte, e a queda em reais é apenas uma fotografia do câmbio. Izac aconselha que, com visão de longo prazo, não é hora de ter pânico.

Rafael Marques, da Philos Invest, reforça que oscilações cambiais de curto prazo não deveriam motivar ajustes na carteira, a menos que haja desvio relevante da alocação-alvo ou mudanças estruturais.

Bruno Perri, da Forum Investimentos, afirma que carteiras no exterior devem ser medidas em dólares, e medir resultados em reais é um contrassenso. Luersen endossa a visão, mas adiciona que o rebalanceamento faz sentido quando a parcela internacional cresceu ou encolheu demais, e não como reação emocional.

Quanto alocar em dólar?

As recomendações de alocação internacional variam entre 15% e 25% da carteira para perfis moderados. Saadia e Marques sugerem ao menos 20%. Lima indica entre 15% e 25%, ajustável. Novais cita uma faixa entre 10% e 15%, com atenção ao impacto da oscilação cambial.

O ponto comum é que a alocação deve ser pensada com horizonte longo, e não como aposta na direção do câmbio.

Fonte: Infomoney

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