Dólar recua perto da estabilidade com exterior no radar

Dólar opera perto da estabilidade com leve desvalorização em pregão de terça-feira. Moeda atinge menor patamar desde março de 2024.

O dólar à vista exibiu leve desvalorização frente ao real nesta terça-feira, operando em movimento próximo à estabilidade. A dinâmica deu continuidade à queda global da moeda americana das últimas sessões, atingindo o menor patamar desde março de 2024.

Investidores globais seguiram otimistas com conversas entre Irã e Estados Unidos, apesar da persistência da crise geopolítica no Oriente Médio. O dólar à vista fechou negociado em queda de 0,07%, cotado a R$ 4,9934, após ter alcançado a mínima de R$ 4,9716 e a máxima de R$ 4,9955.

No mercado externo, o dólar recuava ante o peso chileno, o rand sul-africano e o peso mexicano. O índice DXY, que compara o dólar a uma cesta de seis pares desenvolvidos, também caía.

Desde o começo da sessão, o dólar operou em queda frente ao real, impulsionado pelo otimismo dos agentes do mercado com o cenário global. Essa tendência foi refletida não apenas na queda da moeda americana, mas também na valorização das bolsas globais e na depreciação dos preços do petróleo.

Desempenho do Real Chama Atenção

Apesar da queda recente ser generalizada, a dinâmica da moeda brasileira começa a chamar atenção, indicando que o desempenho do real pode estar exagerado. Estrategistas da Warren Investimentos notaram um desvio da moeda brasileira em relação ao modelo da casa para o comportamento do Câmbio.

O modelo da Warren projeta o dólar a R$ 5,07, mas a moeda americana encerrou o dia cotada abaixo da marca psicológica de R$ 5 e segue abaixo desse nível. Essa diferença entre valores realizados e estimados é a maior desde dezembro de 2025.

Fortalecimento Adicional é Possível

Economistas do Itaú BBA sugerem que um fortalecimento adicional da moeda brasileira não seria surpreendente. O Brasil, por estar distante de conflitos, ser exportador de petróleo e pagar juros altos, beneficia-se da busca por diversificação dos agentes do mercado.

A projeção para o câmbio no fim do ano considera uma percepção de risco local que normalmente piora em ciclos de eleição, mas, caso essa piora não ocorra, o fundamento da cotação seria mais baixo.

Preocupação com Nível Atual

A diretora de macroeconomia para Brasil do UBS Global Wealth Management expressou preocupação com a mensagem transmitida pelo dólar abaixo de R$ 5,00. Para ela, o nível atual pode gerar uma sensação de conforto que não condiz com a realidade do país, diminuindo a pressão por disciplina fiscal e abrindo espaço para pautas que ampliam despesas obrigatórias.

A apreciação cambial, segundo a diretora, não resolve o desequilíbrio estrutural, mas reduz a percepção de urgência. O risco é que esse alívio momentâneo permita decisões permanentes que dificultem o ajuste futuro, tornando os momentos de aparente tranquilidade na política fiscal os mais perigosos.

Fonte: Globo

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