Os juros futuros fecharam o pregão desta segunda-feira (13) majoritariamente em baixa, em meio à melhora dos mercados domésticos e globais. O movimento ocorreu após o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, afirmar que o Irã busca um acordo, o que gerou um alívio da aversão a risco e beneficiou as taxas de longo prazo da curva a termo.
Na ponta mais curta, os juros futuros alternaram entre alta e movimentos próximos da estabilidade. Essa pressão foi motivada pelo avanço dos preços do petróleo e pelo ajuste nas estimativas de inflação do relatório Focus do Banco Central, que projeta o IPCA acima do teto da meta para este ano.
O que você precisa saber
- Contrato de Depósito Interfinanceiro (DI) com vencimento em janeiro de 2027 subiu de 14,06% para 14,10%.
- A taxa do DI de janeiro de 2028 passou de 13,53% para 13,515%.
- O DI de janeiro de 2029 recuou de 13,37% para 13,315%.
- O DI de janeiro de 2031 registrou queda de 13,425% para 13,35%.
Alívio com declarações sobre o Irã
O mau humor do mercado em relação ao fracasso das tratativas entre Estados Unidos e Irã deu lugar a um alívio da aversão a risco após Trump renovar esperanças por um acordo. Isso impacta a perspectiva inflacionária e, consequentemente, a taxa Selic.
Os preços do petróleo, que haviam disparado para cerca de US$ 100 por barril, arrefeceram com os comentários de Trump. No entanto, fecharam o pregão regular cotados a US$ 99 por barril.
Piora nas projeções de inflação pressiona a ponta curta
Em contraste com o recuo dos juros futuros de médio e longo prazo, a ponta mais curta da curva a termo operou sob pressão. O movimento reflete a piora das estimativas de inflação do Focus. O IPCA de março surpreendeu negativamente, levando a revisões nas projeções de economistas.
A mediana do Focus para o IPCA de 2026 agora é de 4,71%, superior aos 4,36% da semana anterior. A estimativa para o IPCA de 2027 subiu de 3,85% para 3,91%, enquanto a projeção para 2028 manteve-se em 3,60%.
Para a economista-chefe da Mirae Asset, Marianna Costa, o Focus ainda está atrasado em suas projeções para 2026. Caso não haja novo acirramento do conflito no Oriente Médio, a tendência é que a mediana das projeções se aproxime de 5%.
Cortes de juros e incertezas futuras
Apesar da piora nas projeções para o IPCA, o Focus ainda não apresenta ajustes relevantes nas estimativas para a Selic. Para o fim de 2026, a projeção é de 12,50%, e para 2027, de 10,50%.
Marianna Costa avalia que o cenário-base para o ciclo de cortes de juros do Banco Central deve permitir uma redução da Selic entre 1 a 1,5 ponto percentual. Para 2027, a taxa de 10,50% projetada no Focus ainda é considerada possível, mas dependerá se a inflação gerada pela guerra não se mostrar mais duradoura.
Caso o conflito se estenda e afete a atividade econômica global, o Brasil tende a ser menos impactado que países mais próximos. A inflação deve continuar no foco da autoridade monetária, indicando um Banco Central mais cauteloso adiante.
Fonte: Globo