O dólar à vista registrou leve desvalorização frente ao real nesta terça-feira, estendendo a tendência de queda global da moeda americana. Com o movimento, o dólar atinge a quinta sessão consecutiva de depreciação e alcança o menor patamar desde março de 2024. Apesar da ausência de sinais concretos sobre um acordo entre Estados Unidos e Irã, investidores globais demonstram otimismo com as conversas em andamento.
Perto das 13h10, o dólar à vista era negociado em queda de 0,22%, cotado a R$ 4,9861, após ter oscilado entre R$ 4,9716 e R$ 4,9917. No mercado externo, o dólar recuava ante o peso chileno e o dólar australiano, enquanto o índice DXY apresentava queda de 0,23%.
Desde o início da sessão, o dólar opera em baixa em relação ao real, impulsionado pelo otimismo renovado dos agentes do mercado com o cenário global. Essa melhora se reflete não apenas na queda da moeda americana, mas também na valorização das bolsas globais e na depreciação dos preços do petróleo.
Brasil se beneficia do cenário
Economistas apontam que o Brasil, por estar geograficamente distante dos conflitos e ser exportador líquido de petróleo com juros elevados, beneficia-se da busca por diversificação por parte dos agentes de mercado. Há projeções de um câmbio mais favorável ao fim do ano, mas o curto prazo pode apresentar um fortalecimento adicional da moeda brasileira caso a percepção de risco local não se agrave.
Riscos da apreciação cambial
Analistas alertam que o patamar do real abaixo de R$ 5,00 pode gerar uma falsa sensação de segurança, mascarando desequilíbrios estruturais. A apreciação cambial pode reduzir a percepção de risco e, consequentemente, diminuir a pressão por disciplina fiscal. Existe o risco de que esse alívio momentâneo abra espaço para decisões permanentes que dificultem ajustes futuros, especialmente em um ambiente político que se mostra propício a pautas que ampliam despesas.
Atividade econômica e juros
O cenário de atividade econômica doméstica mais fraca, evidenciado por resultados recentes no setor de serviços, também contribui para a manutenção do ciclo de afrouxamento monetário pelo Banco Central, sustentando o fechamento das taxas de juros futuras.