Rede de virologistas monitora nova variante da Covid-19 BA.3.2

Rede Global de Vírus monitora a variante BA.3.2 da Covid-19, que apresenta escape de anticorpos, mas não indica maior gravidade.
Mulher é vacinada contra Covid em Bangcoc 5/1/2023 REUTERS/Athit Perawongmetha

Uma nova variante da Covid-19, a BA.3.2, informalmente chamada de “Cicada”, está sob monitoramento da Rede Global de Vírus (GVN), que congrega especialistas de mais de 90 centros internacionais.

A cepa demonstra uma capacidade elevada de evadir o sistema imunológico. No entanto, a GVN enfatiza que os dados atuais não indicam a necessidade de um estado de alerta ou preocupação excessiva.

Em comunicado recente, a entidade explicou que as mutações na BA.3.2 facilitam o escape de anticorpos, o que pode aumentar a probabilidade de novas infecções e reinfecções. Contudo, essa característica é consistente com a evolução esperada do SARS-CoV-2 e de outros vírus respiratórios, não implicando redução da proteção contra formas graves da doença.

A variante foi identificada pela primeira vez em novembro de 2024, na África do Sul, em uma criança de 5 anos. Registros pontuais ocorreram em Moçambique, Holanda e Alemanha no primeiro trimestre de 2025. Após um período de baixa circulação, os diagnósticos da variante voltaram a crescer a partir de setembro do ano passado.

Entre novembro de 2025 e janeiro de 2026, a BA.3.2 ganhou força na Europa, representando 30% das sequências genéticas identificadas na Alemanha, Holanda e Dinamarca. Segundo os Centros de Controle e Prevenção de Doenças (CDC) dos Estados Unidos, a variante já havia sido detectada em 23 nações até 11 de fevereiro, sem notificações no Brasil até o momento.

Nos EUA, a variante foi confirmada em testes clínicos com cinco pacientes, dois dos quais necessitaram de hospitalização. A linhagem também apareceu em amostras de esgoto de 25 estados americanos e em exames de viajantes vindos do Quênia, Japão, Reino Unido e Holanda.

Diferenças genéticas da BA.3.2

A BA.3.2 possui entre 70 e 75 mutações na proteína Spike, a estrutura que o vírus utiliza para infectar as células humanas. As vacinas atuais focam na variante JN.1, enquanto novas versões recomendadas pela OMS e Anvisa foram ajustadas para a descendente LP.8.1.

Apesar das diferenças genéticas, especialistas apontam que não há evidências de que a nova cepa cause quadros mais graves ou um aumento descontrolado de transmissões. A perspectiva dos virologistas é que a variante requer atenção, mas não representa um perigo inédito.

A Organização Mundial da Saúde (OMS) já havia destacado em dezembro o forte escape de anticorpos da BA.3.2. A entidade considera incerto se essa vantagem genética permitirá que ela substitua as linhagens prevalentes. Não há estudos publicados que indiquem maior gravidade da doença associada à BA.3.2 em comparação com outras sublinhagens da Ômicron em circulação.

Os locais onde a cepa foi identificada não registraram aumento nas internações ou óbitos. Para a OMS, a variante não apresenta riscos adicionais à saúde pública além dos já conhecidos das sublinhagens da Ômicron. O perfil de escape imune exige monitoramento constante, mas não há sinais de aumento de hospitalizações, internações em UTI ou mortes atribuíveis à BA.3.2.

Fonte: Infomoney

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