O banqueiro Daniel Vorcaro, dono do Banco Master, realizou pagamentos de milhões de reais a personalidades de diversos espectros políticos. As transações ocorreram em um período em que a instituição financeira tentava evitar a liquidação, segundo registros fiscais analisados pela Reuters.
Os pagamentos levantam a possibilidade de que o escândalo envolvendo o Banco Master, que foi liquidado em novembro, possa impactar as eleições gerais de outubro. Neste pleito, os brasileiros escolherão presidente, governadores, deputados e senadores.
Vorcaro, que está sob investigação criminal por suposta influência sobre membros do Banco Central, conduziu uma rápida expansão de seu banco que surpreendeu analistas.
Pagamentos a políticos sob escrutínio
Documentos fiscais obtidos por uma investigação do Congresso e revisados pela Reuters indicam que o Banco Master efetuou pagamentos significativos a figuras como o ex-presidente Michel Temer, um ex-assessor sênior do ex-presidente Jair Bolsonaro e um ex-ministro da Fazenda que apresentou Vorcaro ao presidente Luiz Inácio Lula da Silva.
Os registros também confirmaram reportagens anteriores sobre pagamentos feitos pelo banco a um escritório de advocacia administrado pela esposa do ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal.
Serviços prestados e investigações
Todos os beneficiários questionados afirmaram que os pagamentos foram legais e referentes a serviços prestados. A Reuters não pôde verificar independentemente essas alegações, e não há evidências que vinculem os pagamentos a decisões regulatórias.
Os pagamentos em questão foram realizados em 2025, após o Banco Central ter sinalizado má gestão no banco. Vorcaro negocia um acordo de delação premiada com a Polícia Federal, o que pode levar a novas revelações.
Impacto eleitoral e reputacional
Analistas apontam que o escândalo, por abranger diferentes partidos, pode ter seu impacto eleitoral diluído. No entanto, candidatos em exercício, como o presidente Lula, podem ser mais afetados, pois os eleitores tendem a reagir ao ambiente político geral.
O escritório de advocacia de Viviane Barci de Moraes, esposa do ministro Alexandre de Moraes, recebeu R$ 40 milhões do Banco Master em 2025. A empresa declarou que as informações foram vazadas ilegalmente e que os valores estavam incorretos.
O ex-ministro da Fazenda Guido Mantega teve sua empresa de consultoria recebendo R$ 8 milhões do banco. Mantega afirmou que não havia indícios de irregularidades quando assinou o contrato.
O ex-presidente Michel Temer confirmou que seu escritório de advocacia recebeu R$ 7,5 milhões por serviços de mediação jurídica, ressaltando que as contratações ocorreram após seu mandato.
Fabio Wajngarten, ex-chefe de comunicação de Jair Bolsonaro, recebeu R$ 3,8 milhões do Banco Master em 2025, alegando ter atuado na defesa jurídica de Vorcaro sob contrato de confidencialidade.
Fontes: Infomoney Moneytimes