Varejo plus size enfrenta queda de demanda com canetas GLP-1

Varejo plus size enfrenta queda de demanda com a popularização de canetas emagrecedoras GLP-1. Setor projeta retração no mercado até 2026.
Araras de roupas em loja de moda plus size durante processo de reestruturação. Araras de roupas em loja de moda plus size durante processo de reestruturação.
Varejo plus size enfrenta queda de demanda com canetas GLP-1 em destaque no AEconomia.news.

A popularização de medicamentos à base de GLP-1, conhecidos como canetas emagrecedoras, provoca uma mudança estrutural no Mercado de moda plus size brasileiro. Empresários do setor relatam quedas expressivas nas vendas e buscam estratégias de reinvenção para adaptar seus estoques a um perfil de consumidor que, em muitos casos, reduziu o manequim.

Impacto no setor de moda

Cátia Debortoli, proprietária da VK Moda Plus Size, aponta uma redução de 50% na demanda por peças de tamanhos maiores desde 2024. A loja iniciou a oferta de numerações menores e estuda a mudança de nome para refletir uma grade mais ampla. O movimento é acompanhado por empresas como a Varca, que tem fechado lojas físicas para concentrar operações no e-commerce.

Segundo dados da plataforma IEMI, a participação do segmento plus size no vestuário adulto brasileiro, que saltou de 3% em 2021 para 7% em 2023, entrou em um quadro de estagnação. A projeção para 2026 é de uma retração para 6%, impulsionada pela mudança nos hábitos de consumo e pelo acesso facilitado aos medicamentos.

Mudança de estratégia no varejo

A expiração da patente de princípios ativos como a semaglutida, comercializada pela Novo Nordisk, deve ampliar a concorrência e reduzir os preços das canetas emagrecedoras. Estimativas do BTG Pactual indicam que similares podem chegar ao mercado com descontos médios de 40%, o que deve acelerar o arrefecimento da demanda por roupas de numeração elevada.

Para especialistas, o varejo de moda está mais preparado para absorver essa transição do que as marcas de nicho. Outros segmentos, como a indústria de alimentos, também monitoram os efeitos dessas mudanças no comportamento do consumidor.

Desafios reputacionais e operacionais

A reestruturação das empresas envolve aspectos logísticos e reputacionais. O tema, ligado ao padrão de beleza e à aceitação corporal, gera cautela entre varejistas. Patrícia Cotti, do Ibevar, observa que o mercado vive um momento de transição entre o discurso de aceitação e a realidade de um padrão reforçado pelo uso de fármacos.

O diretor executivo da Abvtex, Edmundo Lima, ressalta que o cenário exige melhor gestão de estoques e segmentação de ofertas. A resposta rápida a essas novas dinâmicas comportamentais será o diferencial para a competitividade das marcas nos próximos anos.

Fonte: Estadão

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