TAP: Custos de Combustível Dificultam Aquisição por Air France-KLM e Lufthansa

Custos elevados de combustível de aviação e incertezas no setor aéreo complicam a aquisição da TAP pela Air France-KLM e Lufthansa. Saiba mais.

A disputa pela participação de 44,9% na companhia aérea portuguesa TAP, controlada pelo Estado, está em andamento, com ofertas não vinculantes apresentadas pela Air France-KLM e pela Deutsche Lufthansa. A IAG, dona da British Airways e Iberia, retirou-se do processo. Em circunstâncias normais, a Air France, com capitalização de mercado de cerca de 2,7 bilhões de euros, pareceria mais bem posicionada que a Lufthansa, avaliada em 9,7 bilhões de euros. No entanto, os elevados custos do combustível de aviação e um cenário incerto para as viagens aéreas complicam a decisão.

A TAP é considerada um ativo atraente no setor aéreo. A companhia portuguesa registrou uma margem operacional de 6% em 2025, superando a da Lufthansa e ficando ligeiramente abaixo da Air France-KLM. Possui uma frota jovem e, segundo analistas do Deutsche Bank, detinha 75% do mercado entre Lisboa e o Brasil em 2024, um ponto forte devido ao volume de viagens familiares e de negócios entre os dois países.

O CEO da IAG, Luis Gallego, com uma margem operacional de 15% no ano passado, não vê necessidade em adquirir uma participação minoritária em um rival com margens inferiores. Por outro lado, Ben Smith, CEO da Air France-KLM, e Carsten Spohr, da Lufthansa, consideram a aquisição vantajosa. A Air France, em particular, busca consolidar um hub no sul da Europa para complementar suas bases em Paris e Amsterdã. A Lufthansa, por sua vez, já fortalece sua presença na Itália com a integração da ITA.

Ben Smith pode sentir-se mais confortável com a presença do governo português como acionista majoritário, considerando que os governos francês e holandês já detêm mais de um terço das ações da Air France-KLM.

Desde o final de fevereiro, as ações da Air France caíram mais de 20%, enquanto as da Lufthansa recuaram 14%. Uma possível explicação é a maior exposição da Lufthansa a rotas para o sul e sudeste asiático, que se tornaram vantajosas com a rotação de passageiros para evitar escalas no Golfo. Além disso, a Lufthansa tem forte atuação em negócios não aéreos, como manutenção e carga, que tendem a ser mais resilientes em desacelerações econômicas e representaram quase metade de seu lucro operacional no ano passado.

Apesar de um cessar-fogo anunciado entre os Estados Unidos e o Irã, o combustível de aviação ainda negociava a quase o dobro dos níveis pré-conflito. Se essa tendência persistir, poderá afetar os lucros e a demanda por viagens. Analistas do RBC calcularam em janeiro que a capitalização de mercado da Air France representava apenas cerca de 17% de seu valor empresarial, incluindo dívida híbrida, enquanto na Lufthansa essa proporção era de aproximadamente 50%.

A TAP não representa uma aquisição de alto custo. Estimativas indicam um valor de centenas de milhões de euros pela participação, um montante que ambos os grupos poderiam assumir. Contudo, embora a Air France tenha um vazio estratégico maior a preencher, sua situação financeira pode ser um fator limitante.

Fonte: Cincodias

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