O diretor de política monetária do Banco Central, Nilton David, destacou que o ciclo atual é de calibração dos juros e que, ao final do processo, a Selic permanecerá em território restritivo. Ele enfatizou que o nível de juros atual possui mais margem de manobra do que em meses anteriores.
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David comparou a atuação do BC com a de outros bancos centrais, mencionando que apenas Brasil e Japão estavam elevando juros em um determinado momento, indicando uma trajetória distinta em relação a outros países. Ele também observou que mesmo agentes que consideram o juro neutro mais alto e o hiato do produto maior, reconhecem que o crescimento econômico caminha para o nível potencial.
O diretor reiterou duas convicções do BC: a de que os juros neutros estão em níveis próximos aos estimados pela autoridade monetária e que a política monetária é eficaz. Essas convicções, segundo ele, são claras para a instituição.
Em relação à projeção de inflação do BC, de 3,3% no horizonte relevante, David admitiu a existência de incertezas significativas no cenário, incluindo a possibilidade de o choque do petróleo ser temporário. Ele expressou ceticismo quanto à resolução completa da tensão geopolítica no Oriente Médio, citando a capacidade do Irã de fechar o Estreito de Ormuz e a persistência de incertezas. David afirmou que, caso o choque não seja transitório, o Banco Central estará preparado para agir.
Fonte: Globo