A governança de dados ganha relevância estratégica entre as micro e pequenas empresas (MPEs) como medida para mitigar riscos cibernéticos e assegurar a conformidade com a Lei Geral de Proteção de Dados (LGPD). O cenário atual reflete uma busca por maturidade digital em um setor que historicamente apresenta limitações na gestão de privacidade.
Desafios na proteção de dados das MPEs
Dados do Sebrae revelam que 48% dos empreendedores demonstram pouco ou nenhum domínio sobre as obrigações impostas pela LGPD. Adicionalmente, 52% dos empresários admitem desconhecer conceitos básicos de segurança digital. A escassez de profissionais dedicados, como o encarregado pelo tratamento de dados (DPO), contribui para elevar a vulnerabilidade operacional desses negócios.
Como resposta a esse quadro, o Sebrae estabeleceu uma cooperação técnica com a Agência Nacional de Proteção de Dados (ANPD). A iniciativa visa disseminar a cultura de privacidade por meio de materiais educativos e diretrizes de boas práticas, adequadas ao perfil financeiro dos pequenos negócios.
Seguros cibernéticos como indutores de segurança
O mercado de seguros tem ajustado seu portfólio para absorver essa demanda crescente. A Brasilseg, parte da BB Seguros, introduziu coberturas contra riscos cibernéticos atreladas aos seguros empresariais convencionais. A estratégia facilita o acesso à proteção e fornece suporte especializado frente a ataques virtuais.
Conforme informações da Federação Nacional de Seguros Gerais (FenSeg), as apólices contemporâneas funcionam como indutoras de protocolos técnicos, estabelecendo critérios mínimos de segurança para a aceitação do risco. O setor também identifica um aumento na procura pelo “cyber físico”, modalidade voltada a cobrir danos materiais em equipamentos causados por invasões.
A priorização da proteção financeira e da continuidade das operações consolida a gestão de riscos como um pilar indispensável para a sustentabilidade e modernização das PMEs no ambiente digital.
Fonte: Globo