As ações da construtora Plano&Plano (PLPL3) registraram queda de até 7% após a divulgação da prévia operacional do primeiro trimestre de 2026 (1T26). A companhia apresentou um desempenho operacional com lançamentos e vendas abaixo do esperado, além de um consumo de caixa superior às projeções.
Entre janeiro e março, a Plano&Plano lançou quatro empreendimentos, totalizando 3.663 unidades e um Valor Geral de Vendas (VGV) de R$ 989,3 milhões. Este valor representa uma queda de 16% em relação ao mesmo período de 2025 e ficou 5% abaixo das estimativas do BTG Pactual.
As vendas brutas da companhia somaram R$ 941 milhões, um aumento anual de 1%, mas os cancelamentos (distratos) cresceram 35%, totalizando R$ 100 milhões. Com isso, as vendas líquidas atingiram R$ 842 milhões, uma retração de 2% frente ao 1T25 e 16% abaixo das projeções do banco. A velocidade de comercialização (VSO) ficou em 17%, contra 21% no ano anterior.
Pressão no caixa e melhora no radar
O consumo de caixa da Plano&Plano no trimestre foi de aproximadamente R$ 80 milhões, superando os R$ 50 milhões esperados pelo BTG. Os analistas do banco apontaram um primeiro trimestre fraco, com vendas lentas e maior queima de caixa.
No entanto, o BTG destacou que a empresa tem R$ 50 milhões a receber de empreendimentos ligados ao programa “Pode Entrar”, da Prefeitura de São Paulo, nos próximos meses. A Plano&Plano é uma das principais construtoras parceiras do projeto habitacional da capital paulista.
Adicionalmente, parte relevante das vendas do 1T26 foi realizada via corretores terceirizados, cujos recebíveis costumam ser transferidos no trimestre seguinte, o que pode favorecer a geração de caixa futura. O banco mantém a recomendação de compra para PLPL3, citando o forte momento do programa Minha Casa, Minha Vida (MCMV) e um valuation atrativo, com potencial de valorização de cerca de 78%.
Bradesco BBI vê resultado equilibrado
O Bradesco BBI classificou a prévia como “neutra”, considerando os números do 1T26 mais “equilibrados” após um forte quarto trimestre. Lançamentos e vendas ficaram praticamente estáveis na comparação anual, mas com maior queima de caixa e avanço nos distratos.
A velocidade de vendas dos últimos 12 meses encerrou março em 51,1%, uma queda de 1,5 ponto percentual em relação ao ano anterior, mas ainda em nível considerado saudável. O consumo de caixa de R$ 80 milhões reflete efeitos de timing em recebíveis, incluindo R$ 50 milhões relacionados a entregas do programa ‘Pode Entrar’ com recebimento esperado no 2T26.
O BBI também ressaltou que o nível de estoques da construtora segue confortável, com R$ 3,9 bilhões em VGV (+19% em um ano). O landbank (banco de terrenos) atingiu R$ 34,5 bilhões em potencial VGV (+12%), majoritariamente concentrado em São Paulo, o que confere boa visibilidade de crescimento. O banco mantém a recomendação de compra, sustentada pela expectativa de melhora gradual em 2026, pelos aperfeiçoamentos do Minha Casa, Minha Vida e por um valuation atrativo.
Fonte: Moneytimes