O setor de refino na Europa enfrenta um cenário de deterioração acentuada, com as margens de lucro das petrolíferas recuando de patamares históricos para níveis negativos em poucas semanas. A escalada nos preços do petróleo, agravada pelo bloqueio no Estreito de Ormuz e pela intensa competição de compradores asiáticos, pressiona a rentabilidade da transformação de óleo bruto em combustíveis como gasolina e diesel.
O que você precisa saber
- Margens de refino na Europa atingiram terreno negativo na primeira quinzena de abril.
- Conflitos geopolíticos elevaram o custo do barril deBrentem 40% desde o final de fevereiro.
- Analistas doJP Morganalertam para a dificuldade de repassar custos aos consumidores finais.
Pressão sobre a produção e oferta
A situação atual coloca em risco a continuidade operacional de unidades menos eficientes. Especialistas do setor indicam que, caso a tendência de prejuízo operacional se mantenha, o fechamento temporário de refinarias pode se tornar inevitável. Contudo, a Comissão Europeia tem solicitado a maximização da capacidade produtiva para garantir o suprimento energético durante a temporada de verão, desencorajando paradas para manutenção.
O impacto nos custos já reflete em outros setores, levando companhias aéreas a ajustarem suas malhas de voos. A volatilidade nos preços indica uma distorção onde o mercado de petróleo bruto se ajusta com maior rapidez do que o mercado de produtos refinados, afetando desproporcionalmente países como Grécia, Itália e nações nórdicas.
Desempenho financeiro das companhias
Apesar da pressão recente, os resultados do primeiro trimestre ainda refletem o cenário anterior de alta. A Repsol reportou um aumento de 105,7% em sua margem de refino na Espanha em comparação ao mesmo período de 2025, enquanto a TotalEnergies e a Shell mantiveram patamares elevados de rentabilidade. Analistas financeiros observam que empresas como Eni e Shell possuem maior resiliência estrutural para enfrentar a atual volatilidade do mercado de energia.
Fonte: Cincodias