Os juros futuros brasileiros encerraram o pregão com avanços expressivos em todos os vértices da curva, impulsionados por um ambiente de aversão ao risco no cenário doméstico e internacional. A volatilidade reflete preocupações com o conflito no Oriente Médio e a reação do mercado à política fiscal adotada pelo governo federal.
Impacto geopolítico e externo
No exterior, a percepção de risco foi agravada pelo impasse nas negociações de paz no Oriente Médio. Relatos de retrocessos diplomáticos entre o Irã e os Estados Unidos elevaram o temor de uma escalada nas tensões regionais. Com o preço do petróleo acima de US$ 100 o barril, investidores voltaram a precificar riscos de choques inflacionários, movimento acompanhado pela alta nos rendimentos dos Treasuries norte-americanos.
Fatores domésticos de pressão
No Brasil, a curva de juros sofreu influência de dois elementos principais:
- Leilões do Tesouro:O mercado reagiu com cautela a uma emissão de 21 milhões de títulos prefixados peloTesouro Nacional. Analistas indicam que o volume ofertado superou a capacidade de absorção dos investidores, já sob estresse após leilões de títulos atrelados àinflação(NTN-B).
- Política Fiscal:O envio de um projeto de lei ao Congresso para reduzir tributos sobre combustíveis gerou incerteza. A ausência de clareza sobre a compensação da renúncia de receita aumentou o prêmio de risco exigido pelos agentes financeiros.
Desempenho da curva de juros
Ao final da sessão, as taxas de Depósito Interfinanceiro (DI) registraram altas significativas. O contrato para janeiro de 2027 atingiu 14,14%, enquanto o vencimento para janeiro de 2029 subiu para 13,575%. Especialistas avaliam que a fragilidade do apetite ao risco e o cenário externo desafiador mantêm a pressão sobre a renda fixa local no curto prazo.
Fonte: Globo