O JP Morgan revisou suas estimativas para o setor de papel e celulose, rebaixando a recomendação das ações da Klabin (KLBN11) de compra para neutra. A instituição financeira aponta um cenário mais desafiador para a celulose de fibra longa e a ausência de catalisadores de curto prazo para a companhia no curto período.
O que você precisa saber
- O preço-alvo da Klabin sofreu redução, passando de R$ 26 para R$ 22.
- ASuzano(SUZB3) permanece como a principal recomendação de compra do banco no setor.
- Conflitos geopolíticos globais elevam a incerteza e pressionam os custos operacionais, incluindo fretes e insumos.
Desafios operacionais e de mercado
Segundo os analistas, os preços da celulose de fibra curta aproximam-se de um pico cíclico, enquanto a fibra longa enfrenta demanda mais fraca e spreads comprimidos. Embora o desempenho operacional da Klabin seja sólido, o banco avalia que o potencial de valorização está limitado pelo atual sentimento global de mercado.
Suzano como destaque no setor
Para o JP Morgan, a Suzano apresenta o melhor perfil de risco-retorno entre as fabricantes latino-americanas. A tese positiva é sustentada por um valuation atrativo, com a empresa negociando a 5,2 vezes EV/Ebitda para 2026. A expectativa de maior volume com o projeto Cerrado e a redução de investimentos após a fase de expansão reforçam a confiança na tese.
Apesar da visão otimista, o preço-alvo da Suzano foi ajustado de R$ 81 para R$ 74, refletindo revisões cambiais. O banco destaca que a disciplina na oferta global e a inflação de custos continuam sendo fatores determinantes para a dinâmica de preços no setor.
Cenário geopolítico e perspectivas
O relatório aponta que o conflito no Oriente Médio alterou abruptamente a dinâmica de preços. A incerteza geopolítica tornou os compradores mais relutantes em aceitar repasses de custos. Como resultado, os produtores enfrentam pressão nas margens, mesmo com a manutenção dos preços de venda.
Para o segundo trimestre de 2026, o banco estima a fibra curta a US$ 615 a tonelada, uma revisão para cima impulsionada principalmente pela alta nos custos de madeira e fretes. A perspectiva para o restante do ano permanece positiva, sustentada por um ambiente de oferta mais restrito e menor adição de capacidade produtiva global.
Fonte: Moneytimes