A JBS deve apresentar um desempenho operacional mais contido no primeiro trimestre de 2026, conforme relatório divulgado pela XP investimentos. A projeção aponta para uma compressão de margens em quase todas as frentes de negócio da companhia, com exceção da unidade JBS Brasil, que tende a registrar melhora na comparação anual.
Para o período, os analistas estimam uma receita líquida de R$ 112,6 bilhões, representando um recuo de 1% em relação ao ano anterior e de 8% na comparação trimestral. O Ebitda ajustado deve atingir R$ 5,8 bilhões, uma queda de 35% na base anual, enquanto o fluxo financeiro deve ser impactado por uma queima de caixa de R$ 3,2 bilhões, movimento alinhado à sazonalidade do setor.
Desafios operacionais e margens
O cenário para as operações internacionais da JBS é considerado desafiador, especialmente para a unidade USA Beef. A divisão deve reportar a menor margem de sua história para um primeiro trimestre, estimada em -3,0%, devido às condições desfavoráveis do ciclo pecuário norte-americano. No segmento de aves e processados, a Seara também deve registrar redução de margens em linha com os padrões históricos de início de ano.
A análise da XP investimentos destaca que, embora existam dificuldades no Mercado brasileiro, os mercados externos mantêm resiliência, auxiliando no equilíbrio do desempenho da unidade diante dos ventos contrários domésticos. O setor de proteínas enfrenta volatilidade, similar ao que ocorre em outros segmentos de mercado, como observado em análises sobre o rebaixamento de empresas do setor de papel e celulose.
Visibilidade de mercado e perspectivas
Apesar das projeções negativas para o 1T26, os analistas avaliam que o período pode marcar o piso dos resultados da companhia em 2026. Uma eventual fraqueza das ações pode abrir oportunidades à medida que a visibilidade sobre os ciclos globais de proteínas aumentar ao longo dos próximos meses.
Outro fator monitorado pelo mercado é a possibilidade de uma listagem em índices nos Estados Unidos durante o segundo semestre de 2026. No momento, a XP investimentos mantém o acompanhamento sobre a intensidade da recuperação do ciclo pecuário nos EUA para ajustar as expectativas de longo prazo.

Fonte: Infomoney