O primeiro-ministro de Israel, Benjamin Netanyahu, instruiu seu gabinete a iniciar negociações com o Líbano o mais rápido possível. A decisão surge em meio a um cessar-fogo frágil entre os Estados Unidos e o Irã, mediado pelo Paquistão, que entrou em vigor na quarta-feira.






Apesar da declaração de Netanyahu, o Hezbollah, por meio de seu parlamentar Ali Fayyad, afirmou que o Líbano deve exigir um cessar-fogo como pré-condição para qualquer diálogo. Fayyad também pediu a retirada das tropas israelenses do território libanês e o retorno dos deslocados às suas casas.
Tensão sobre a inclusão do Líbano no acordo
O cessar-fogo entre EUA e Irã tem sido um ponto de discórdia, com o Irã insistindo que o acordo inclui o Líbano, enquanto os EUA e Israel afirmam o contrário. A ofensiva israelense no Líbano tem sido vista por Teerã como uma violação do acordo.
A Rússia, por sua vez, declarou acreditar que o cessar-fogo se aplica ao Líbano e condenou a ofensiva israelense, alertando que ela ameaça o processo de negociação.
Impacto humanitário e econômico
A guerra causou um deslocamento massivo, com mais de 4,25 milhões de pessoas deslocadas no Irã e no Líbano desde 28 de fevereiro, segundo a Organização Mundial da Saúde (OMS). Hospitais no Líbano enfrentam escassez crítica de suprimentos médicos, com risco de mais mortes em caso de novos ataques em massa.
Economicamente, a trégua trouxe um alívio temporário para os mercados africanos, mas especialistas alertam para a fragilidade da recuperação devido a vulnerabilidades profundas.
Posições internacionais e futuras negociações
A Alemanha anunciou que retomará as conversas com o Irã, após o chanceler Friedrich Merz considerar a ameaça de escalada do presidente dos EUA, Donald Trump, como “excessiva”. Trump, por sua vez, expressou otimismo sobre um acordo com o Irã e afirmou que Israel adotará uma postura mais discreta no Líbano.
As negociações em pessoa entre Irã e EUA estão previstas para começar no Paquistão no sábado, com a delegação americana liderada pelo vice-presidente Vance. O Irã condiciona sua participação à observância do cessar-fogo por parte dos EUA em todas as frentes, especialmente no Líbano.
Fonte: Dw