O interesse de investidores estrangeiros por ações brasileiras permanece elevado, mesmo diante de um cenário global marcado por volatilidade e tensões, segundo relatório do Itaú BBA. A análise aponta que o Brasil segue como um destino atrativo para alocação de capital no médio e longo prazo.

Fatores de atratividade para o capital externo
O primeiro pilar do otimismo é o valuation atrativo. O Ibovespa negocia com múltiplos de preço sobre lucro abaixo de 10 vezes, apresentando desconto em relação à média histórica. Cerca de dois terços das empresas listadas operam abaixo de suas médias, oferecendo margem de segurança ao investidor.
O segundo ponto é o ciclo de juros. O Brasil destaca-se ao reduzir a taxa Selic, o que tende a beneficiar ativos de risco. Esse cenário é complementado pela menor exposição geopolítica do país, visto como um porto seguro em um mundo fragmentado.
Perfil do mercado e fluxo de investimentos
A composição do mercado brasileiro, concentrada em real assets como commodities, setor financeiro e infraestrutura, atrai investidores que buscam proteção contra a inflação. O setor de petróleo, em particular, gera impacto positivo nas contas externas, com contribuição estimada em 1% do PIB via exportações líquidas.
O Itaú BBA mantém recomendação de overweight para a América Latina, priorizando bancos e empresas de energia e saneamento.
Riscos e cautela no curto prazo
Apesar do fluxo positivo, o relatório alerta para sinais técnicos de sobrecompra que podem indicar correções. No campo dos lucros, a seletividade é alta, visto que apenas 43% das empresas revisaram estimativas para cima recentemente. O movimento reforça a necessidade de diversificação, em um momento em que a indústria local de fundos ainda enfrenta resgates.
Fonte: Infomoney