O fechamento do tráfego marítimo no Estreito de Ormuz durante o último mês, em decorrência dos bombardeios de Estados Unidos e Israel contra o Irã, ameaça gerar impactos significativos por meses para empresas que dependem da região para seus suprimentos. A gigante cervejeira Heineken, dona de marcas como Cruzcampo e Amstel, alertou para os efeitos concretos ligados a este conflito em um documento recente relacionado à emissão de títulos de dívida.
A companhia destacou o complexo contexto atual das cadeias de suprimentos globais, que continuam enfrentando interrupções e risco de escalada. Segundo a cervejaria, alguns de seus fornecedores já foram afetados, gerando volatilidade de preços e dificuldades contratuais. Os acontecimentos na região do Irã têm contribuído para maior instabilidade nas rotas de transporte e nos mercados energéticos globais, agravando as pressões sobre as cadeias de suprimentos internacionais.
Essa instabilidade afeta as rotas marítimas próximas ao Estreito de Ormuz e os preços globais do petróleo, podendo aumentar os custos ou interromper a disponibilidade de certos insumos dos quais o grupo depende. Empresas do setor de consumo, como a Heineken, estão expostas a esses eventos, não apenas pelo impacto do aumento súbito no preço dos combustíveis sobre a logística, mas também pela repercussão no preço de matérias-primas essenciais como plásticos, alumínio e vidro.
Escassez de recursos e tensões comerciais
Além do impacto geopolítico, a Heineken enfatiza que a disponibilidade de recursos críticos tem sido limitada por fatores como as mudanças climáticas e a instabilidade política mundial. A crescente escassez de água, por exemplo, já afeta a produção de cultivos, a disponibilidade de recursos e os preços de cereais como a cevada, insumo essencial para a produção de cerveja. O negócio da empresa requer acesso a importantes recursos hídricos.
Os mercados de matérias-primas relevantes podem continuar a experimentar aumentos de preços ou sofrer interrupções no fornecimento. A Heineken utiliza, entre outros insumos, cevada, cereais, lúpulo, vidro e alumínio para a produção e embalagem de seus produtos. A empresa também faz referência à instabilidade no comércio global devido a tarifas, mencionando a possibilidade de desaceleração econômica mundial por tensões comerciais entre EUA e outros países.
Impacto na demanda e resultados
A cervejaria também considera as elevadas taxas de inflação dos últimos anos, a perda de poder de compra e a crise de confiança dos consumidores como fatores que alertam para uma possível recessão prolongada, com aumento do desemprego estrutural e repercussões na demanda do consumidor. A companhia divulgou um plano de ajustes que prevê entre 5.000 e 6.000 demissões nos próximos dois anos.
Fonte: Cincodias