A governadora do Distrito Federal, Celina Leão, criticou a postura do Governo Federal em relação ao Banco de Brasília (BRB), alegando falta de boa vontade e resposta às solicitações de ajuda. “Acho que não tem a boa vontade de fazer. Já pedimos, pedimos inclusive agendas”, declarou a governadora à imprensa em Brasília. Ela expressou frustração com a ausência de ação, sublinhando a importância da institucionalidade nas relações entre os chefes do Executivo.
Celina Leão, que se identifica como governadora de direita, afirmou que sempre estará disponível para dialogar quando a pauta for Brasília e esperava uma postura semelhante do presidente Luiz Inácio Lula da Silva, o que, segundo ela, não ocorreu. A governadora mencionou que o governo federal teria prestado assistência a outro banco em crise recentemente, o Digimais.
Sobre o BRB, Celina Leão informou que ainda não há novidades a respeito de um possível empréstimo do Fundo Garantidor de Créditos (FGC). Ela também esclareceu que a auditoria realizada no banco foi encaminhada aos órgãos de controle, como a Polícia Federal, o Ministério Público e a Procuradoria-Geral da República (PGR). As causas cíveis relacionadas aos fluxos financeiros do BRB serão tratadas em primeira instância, enquanto as causas criminais serão remetidas ao Supremo Tribunal Federal (STF).
Formas de sair do risco de insolvência
A governadora detalhou que o BRB possui diversas alternativas para superar o risco de insolvência e aliviar a pressão sobre sua estrutura de capital, especialmente após os desdobramentos do caso Master. Segundo ela, o banco é “vítima” da situação e as medidas de governança e auditorias em andamento são cruciais. No entanto, parte das informações não pode ser divulgada devido a negociações em curso e questões de sigilo bancário.
Celina Leão assegurou que todas as medidas necessárias estão sendo tomadas pelo presidente do Banco, Nelson de Souza, com transparência e austeridade. Ela destacou que o momento exige cautela na divulgação de informações, dada a sensibilidade do mercado financeiro. “Muitas vezes o silêncio é para preservar a integridade do banco”, afirmou, acrescentando que a auditoria não foi compartilhada nem mesmo com ela, como controladora, sendo restrita aos órgãos de controle.
Separação Master x BRB
Celina Leão enfatizou a necessidade de distinguir as apurações sobre o Banco Master daquelas que envolvem o BRB no contexto das investigações federais sobre operações no mercado financeiro. “É bom e necessário que se faça uma separação do que é Master e do que é BRB”, declarou.
Ela reiterou que o BRB é um banco sólido com uma longa história em Brasília e que a missão atual é garantir sua continuidade como banco de desenvolvimento regional. As declarações surgem em meio a investigações sobre operações estruturadas no mercado financeiro envolvendo o Master, que geraram questionamentos de órgãos de controle e investigações. Por ser controlado pelo governo do Distrito Federal, o BRB tem sua imagem pressionada, levando autoridades locais a defenderem a instituição.
Combate à corrupção
A governadora afirmou que um dos objetivos de sua gestão é “cortar qualquer tipo de desvio ou corrupção”. Para isso, Celina Leão está promovendo mudanças em sua equipe, buscando profissionais técnicos com capacidade para enfrentar os desafios atuais, citando como exemplo o novo secretário da Fazenda, Valdivino Oliveira.
Fonte: Estadão