O estrategista político Jorge Gerez, que trabalhou com Ratinho Jr. por 14 anos, avalia que o cenário eleitoral se encaminha para uma polarização entre o presidente Lula (PT) e o senador Flávio Bolsonaro (PL). Segundo Gerez, com 81% dos brasileiros desejando mudança, Flávio Bolsonaro teria grandes chances de vencer já no primeiro turno.
Gerez, formado em Publicidade e Comunicação Social, iniciou sua carreira no setor privado, incluindo passagens pelo Grupo Carrefour, onde aprendeu a simplificar mensagens para o público geral. Essa experiência, segundo ele, foi transposta para as campanhas eleitorais.
O marqueteiro acredita que a desistência de Ratinho Jr. da disputa presidencial abriu espaço para a consolidação de um cenário de dois principais candidatos. Ele descarta a viabilidade de uma terceira via, argumentando que o eleitor busca um perfil específico de candidato, que se encaixaria em nomes como Ratinho Jr. e Flávio Bolsonaro.
Análise do cenário eleitoral
Gerez aponta que o desejo por mudança no eleitorado é um fator determinante. Ele menciona um evento específico durante o Carnaval, com a ala “neoconservadores em conserva” apresentada por uma escola de samba, como um ponto de virada que teria impactado negativamente a avaliação do governo atual. A percepção de aumento do custo de vida e escândalos como o do INSS e do Banco Master também contribuem para a insatisfação.
O estrategista critica a comunicação do governo atual, que, segundo ele, estaria mais focada em atacar Flávio Bolsonaro do que em divulgar suas próprias conquistas. Ele ressalta que a definição de uma campanha deve se dar pelas virtudes próprias, não pela destruição do adversário.
Estratégias para a campanha de Flávio Bolsonaro
Gerez sugere que Flávio Bolsonaro precisa se apresentar de forma mais completa, mostrando sua identidade para além do sobrenome. Ele compara a situação com a de Ratinho Jr., que, segundo ele, conseguiu construir uma imagem própria como empresário e governador, superando a associação inicial com seu pai, o apresentador Ratinho.
O marqueteiro enfatiza que Bolsonaro é uma “folha em branco” e que precisa definir seu conteúdo e propósito. Ele aconselha que a campanha evite o confronto direto com o PT e se concentre em apresentar propostas e uma visão de futuro. A conexão com eleitores católicos, que representam uma parcela significativa do eleitorado, é vista como crucial.
Movimentos políticos globais e a direita
Gerez observa uma tendência global de ascensão da direita, citando exemplos como Chile e Costa Rica. Ele atribui esse movimento à defesa de valores tradicionais pela direita, em contraste com o que percebe como uma agenda mais ambígua da esquerda. Acredita que essa guerra de valores é um fator importante na política atual.
Vice na chapa de Flávio Bolsonaro
Para a posição de vice, Gerez sugere Simone Marquetto, por sua capacidade de atrair o público católico. Ele argumenta que a senadora Tereza Cristina e o ex-governador Romeu Zema não agregariam tanto quanto Marquetto, que seria uma “outsider” com potencial de somar votos. Ele também considera a possibilidade de uma mulher com perfil de influenciadora e empresária de sucesso, com valores claros, para reforçar o lado cidadão da campanha.
Candidaturas alternativas e o cenário no Paraná
Sobre a possibilidade de fenômenos como Javier Milei no Brasil, Gerez é cético quanto ao tempo e profundidade de candidatos como Renan Santos. Ele vê Flávio Bolsonaro como o principal aliado de Milei no país. Quanto ao cenário no Paraná, Gerez acredita que o candidato de Ratinho Jr. tem grandes chances de ser eleito, desde que o grupo político não se fracture. Ele vê a popularidade de Sergio Moro como um recall de nome, mas que pode diminuir quando a ausência do apoio de Ratinho Jr. for clara.
Fonte: Estadão