Na década de 1990, a humanidade vivenciou um período de deslumbramento com as possibilidades da tecnologia, impulsionado pela expansão da internet. Atualmente, a inteligência artificial já não gera a mesma empolgação, e a sociedade demonstra uma postura mais crítica em relação a avanços que antes pareciam incontestáveis.
O Fear Factory, banda de Los Angeles, tem acompanhado essa trajetória de euforia e desencanto com a tecnologia. O grupo combina metal pesado com programação eletrônica, caracterizado por riffs de guitarra repetitivos que remetem a equipamentos industriais.
Após uma apresentação em São Paulo há três anos, a banda retorna à cidade para se apresentar no festival Bangers Open Air, em 25 de abril. Este momento marca uma nova fase para o quarteto, que durante a pandemia recebeu o novo vocalista, Milo Silvestro, após a saída de Burton C. Bell, figura emblemática que definiu a identidade do conjunto ao lado do guitarrista Dino Cazares.
Silvestro já se apresentou na capital paulista em 2023 e foi bem recebido pelo público. Segundo Cazares, o novo vocalista está ainda mais integrado à banda. “O Milo aprendeu e foi influenciado pelo Fear Factory. Éramos uma das bandas favoritas dele. Ele desenvolveu muito do seu estilo ouvindo Fear Factory. Então, quando entrou na banda, foi praticamente perfeito”, afirma o guitarrista, mencionando que o único desafio foi a residência do novo membro na Itália.
Dois álbuns de estúdio do Fear Factory, “Demanufacture” (1995) e “Obsolete” (1998), são considerados clássicos da música pesada contemporânea. Ao mesclar peso e melodia de forma equilibrada, a banda delineou uma sonoridade inovadora para a época, que é imitada até hoje.
A identidade sonora da banda, descrita por Cazares como “riffs gordos e aspecto futurista”, é o que atrai os fãs. Essa sonoridade estará presente no novo disco do grupo, com lançamento previsto para o final deste ano, embora ainda não confirmado. Será o primeiro álbum com o novo vocalista, e o trabalho “está ficando incrível”, segundo o guitarrista.
O novo cantor contribuiu significativamente para o álbum, não apenas nos vocais, mas também compondo riffs de guitarra e passagens de teclado. Ele escreveu a faixa final praticamente sozinho e auxiliou no conceito do álbum, cujo título e músicas ainda não foram divulgados.
De acordo com Cazares, o álbum aborda a relação entre o homem e a inteligência artificial. “Na verdade, oficialmente, já ultrapassamos a IA e não existimos mais como seres humanos. Restam apenas fragmentos. Mas há esperança de que voltemos a ser uma espécie capaz de destruir a IA e viver uma vida humana. Essa é a explicação mais simples que consigo dar sobre o que está por vir.”, explica.
O festival Bangers Open Air chega à sua quarta edição neste ano, consolidando-se como um dos principais eventos de música pesada no Brasil. Diferentemente de outros festivais que focam em bandas clássicas, o Bangers direciona seu olhar para o presente e o futuro do metal.
No mesmo dia do Fear Factory, apresentar-se-ão a banda de death metal Crypta e a alemã Luficer, que executa heavy metal tradicional com influências de hard rock. O principal show do sábado será o do Arch Enemy, com sua nova vocalista.
No domingo (26), a atração principal será o Angra, que celebrará seus 35 anos com um show de mais de duas horas, incluindo músicas de todas as fases da carreira. O grupo brasileiro de heavy metal melódico reunirá no palco a formação clássica do álbum “Rebirth”, com Edu Falaschi, Kiko Loureiro, Rafael Bittencourt, Felipe Andreoli e Aquiles Priester.


Fonte: UOL