Um nicho de mercado na internet explora o suposto resgate das glórias da história brasileira, alegando que professores de história teriam destruído a autoestima nacional ao enxovalhar a reputação de heróis pátrios e apagar vitórias gloriosas. A narrativa defende a necessidade de orgulho do passado.


Análises genéticas revelam que, de 100 brasileiros do sexo masculino, apenas 2 carregam um cromossomo Y de origem indígena, 25 têm um cromossomo Y de origem africana, e a maioria possui um Y europeu. Embora o DNA total apresente proporções mais equilibradas, o brasileiro médio é geneticamente mais europeu do que africano ou indígena.
Estimativas indicam que cerca de 5 milhões de africanos escravizados e 5 milhões de europeus foram trazidos para o Brasil entre 1500 e 1850. Estima-se também que 10 milhões de indígenas viviam no território antes da invasão europeia. Esses números sugerem um desequilíbrio na contribuição genética europeia.
Esse desequilíbrio é explicado pelo funcionamento do Brasil colonial e imperial (1500-1888) como um sistema baseado na escravização de indígenas e africanos. Essa prática, decisão de Estados imperiais português e brasileiro, foi a base da economia e sociedade por quase quatro séculos, resultando em desumanização e na dificuldade de muitas populações deixarem descendentes.
Valorizar figuras históricas ligadas à estrutura de poder da época, que operavam o sistema de escravidão, equivale a perpetuar um legado de morte. Heróis como José do Patrocínio, André Rebouças, Sepé Tiaraju e Joaquim Nabuco são exemplos de figuras que lutaram contra essa engrenagem.
Honrar esses verdadeiros heróis significa participar da luta para desmontar a estrutura histórica de opressão, em vez de perpetuá-la. O compromisso de transformar o Brasil é a única declaração de amor ao país digna do nome.
Fonte: UOL