A obesidade está associada a uma em cada dez mortes por infecções globalmente a cada ano, conforme revela um estudo publicado na revista científica The Lancet. A condição eleva o risco de contrair infecções por uma vasta gama de patógenos, com maior gravidade e probabilidade de óbito quanto mais elevado o grau da obesidade.


Embora já se saiba que a obesidade agrava quadros de infecções como gripe e Covid-19, a pesquisa analisou o impacto na incidência, hospitalizações e mortes relacionadas a 925 microrganismos, incluindo bactérias, vírus, parasitas e fungos. Os dados abrangeram mais de meio milhão de participantes de grupos na Finlândia e do UK Biobank, no Reino Unido.
O risco de infecção severa foi quase duas vezes maior em indivíduos com qualquer grau de obesidade, triplicando em casos de obesidade grau 3 (mórbida), caracterizada por um Índice de Massa Corporal (IMC) acima de 40. Esses resultados foram consistentes, independentemente de fatores clínicos, sociodemográficos, comportamentais e outros riscos.
O endocrinologista Paulo Rosenbaum, do Einstein Hospital Israelita, explica que a maior incidência de infecções nesses pacientes se deve a alterações metabólicas, disfunção do sistema imune e inflamação crônica associada à obesidade, incluindo a subclínica.
Estudos indicam uma redução de quadros infecciosos em pacientes que utilizam medicações para o tratamento da obesidade, como semaglutida e tirzepatida. Rosenbaum observa que a perda de peso tende a diminuir o risco de infecções e suas complicações.
As descobertas da pesquisa sugerem que o aumento contínuo da obesidade no mundo pode levar a uma maior carga de infecções graves nas próximas décadas. O estudo ressalta a importância do tratamento da obesidade como um fator de risco adicional para infecções, internações e mortalidade.
Os resultados reforçam a necessidade de políticas públicas focadas na prevenção e tratamento da obesidade, visando reduzir a incidência dessas doenças e os custos associados a hospitalizações, mortalidade e absenteísmo.
Fonte: UOL