A Europa enfrenta uma crise severa no fornecimento de combustível para aviões, agravada pelo bloqueio do estreito de Ormuz em meio ao conflito entre Estados Unidos, Israel e Irã. Com a interrupção das rotas vindas do Golfo Pérsico, que respondiam por 40% das importações europeias, o continente busca alternativas para manter o transporte aéreo.

Impacto nas reservas e na aviação
A dependência de países como a França, onde a importação de combustível do Oriente Médio atingia 80%, coloca as economias europeias em posição vulnerável. Segundo dados da Agência Internacional de energia, o nível de reservas estratégicas em nações como Alemanha e Reino Unido encontra-se abaixo do patamar de segurança recomendado de 23 dias.
Como reflexo, a companhia aérea Lufthansa anunciou o cancelamento de 20 mil voos para ajustar custos e demanda. O comissário europeu de energia, Dan Jorgensen, aponta que o cenário exige coordenação entre os Estados-membros para otimizar a produção interna das refinarias.
Diferenças regionais e o papel do diesel
Enquanto o norte da Europa sofre com a escassez, o sul apresenta maior resiliência. A Espanha, com capacidade de refino robusta, e a Itália, que iniciou o período com estoques elevados, possuem maior margem de manobra. A situação do diesel é considerada mais estável devido à diversificação de fontes e produção doméstica.
Analistas da S&P Global Energy indicam que a tendência é de alta nos preços e redução na oferta de voos. O sistema de refino europeu deve priorizar o querosene, o que pode pressionar a disponibilidade de outros derivados de petróleo no curto prazo.

Fonte: Elpais