Potências europeias buscam estabelecer uma missão naval multinacional para garantir a segurança da navegação no Estreito de Hormuz, após conflitos na região terem interrompido o tráfego em uma das rotas comerciais mais importantes do mundo.
Militares de 30 países reuniram-se em Londres para discutir os detalhes práticos da operação e a proteção de embarcações comerciais.
O que envolve uma ‘missão defensiva’?
As propostas do Reino Unido e da França centram-se em uma operação naval multinacional “estritamente defensiva”. O foco é proteger navios mercantes contra ataques, em vez de atingir alvos em terra. A missão seria implementada apenas após um acordo negociado para o fim das hostilidades entre os Estados Unidos e o Irã.
Segundo Jürgen Ehle, almirante alemão aposentado e ex-conselheiro militar sênior da União Europeia, a missão responderia a ataques, em vez de agir ofensivamente. Isso significa defender embarcações contra mísseis, drones ou lanchas de ataque, sem atacar infraestrutura militar iraniana ou tropas em terra.
Especialistas indicam que a operação provavelmente exigirá fragatas ou destróieres equipados com sistemas de defesa aérea, além de drones de caça-minas para detectar e neutralizar artefatos explosivos. A União Europeia (E3), composta por Alemanha, França e Reino Unido, deverá arcar com a maior parte do ônus militar.
A Alemanha sinalizou disposição em contribuir com embarcações de desminagem e reconhecimento marítimo, sujeitas à aprovação parlamentar. O Chanceler Friedrich Merz ressaltou a necessidade de um mandato legal claro antes de qualquer desdobramento.
A França já possui ativos navais significativos na região. O Presidente Emmanuel Macron informou que forças atualmente estacionadas no Mediterrâneo Oriental e no Mar Vermelho poderiam ser parcialmente redirecionadas para apoiar a missão.
A contribuição do Reino Unido ainda não foi especificada. O Primeiro-Ministro Keir Starmer mencionou que mais de uma dúzia de países demonstraram interesse em fornecer recursos, mas Londres não detalhou sua participação. Especialistas apontam que, embora o Reino Unido possua destróieres avançados, sua “prontidão e disponibilidade permanecem incertas”.
Quais os riscos para a Europa?
O envio de ativos navais para o Golfo pode sobrecarregar as capacidades europeias em um momento de tensões elevadas em suas próprias fronteiras. Especialistas alertam que a Europa precisa equilibrar as ameaças da Rússia, especialmente no Mar Báltico e no Atlântico Norte, e não pode depender tanto dos EUA quanto antes.
Os riscos operacionais no Golfo permanecem consideráveis. A defesa aérea não garante segurança total, especialmente contra ataques massivos de drones. O ambiente de ameaças é complexo, variando de munições de baixa altitude a mísseis antinavio de alta velocidade e minas de contato.
A diplomacia pode garantir a estabilidade?
Analistas concordam que desdobramentos navais por si só não podem garantir a segurança do Estreito de Hormuz. Apenas uma solução diplomática, na qual o Irã tome uma decisão política soberana de recuar, oferece a perspectiva de interromper os ataques completamente.
França e Reino Unido buscam ampliar a coalizão para além da Europa, engajando países como a Índia e a Coreia do Sul. O objetivo é aumentar a influência diplomática e facilitar o eventual retorno do transporte comercial.
Os países participantes têm diferentes motivações, como liberdade de navegação, direito internacional e segurança energética. Eles não desejam normalizar uma situação em que uma potência possa usar força e geografia para controlar um ponto de estrangulamento marítimo crucial, o que criaria um precedente perigoso para o comércio global.
Enquanto a Europa trabalha na formação de uma coalizão, países como Índia, Paquistão e China também buscam acordos bilaterais com Teerã para manter os fluxos de transporte, embora os volumes permaneçam marginais.
Por ora, a Europa prepara uma missão naval defensiva limitada, enquanto pressiona por uma solução política. A adesão de países suficientes a essa abordagem ainda é incerta.






Fonte: Dw